Em Loures, os próximos quatro anos vão ser com PS e PSD de mãos dadas

Oito anos depois, o PS reconquistou a Câmara de Loures aos comunistas, mas sem maioria absoluta. Por isso, o novo presidente da câmara fez um acordo à direita, com o PSD, para garantir a estabilidade governativa nos próximos quatro anos.

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Ricardo Lopes

O PS e o PSD chegaram a um acordo de governação da Câmara Municipal de Loures, permitindo assim ao novo presidente, Ricardo Leão, a “estabilidade governativa” que deseja para os próximos quatro anos. O acordo prevê a entrega dos pelouros como o do Ambiente e Turismo aos dois vereadores sociais-democratas eleitos.

“Não ganhámos com maioria absoluta. Para termos estabilidade e governativa e podermos alcançar os resultados que queremos alcançar temos de ter essa estabilidade que a população ainda não nos deu”, diz ao PÚBLICO Ricardo Leão, o candidato do PS que tirou das mãos do comunista Bernardino Soares a Câmara de Loures – um dos concelhos mais emblemáticos do PCP – por pouco mais de 2000 votos.

O novo presidente justifica a decisão com o facto de pretender a estabilidade e não a gestão casuística com acordos pontuais, tendo em conta que os próximos anos serão desafiantes nomeadamente no que diz respeito à gestão das verbas que chegarão do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a chamada “bazuca” europeia.

“Estamos a entrar num período em que a propósito do PRR, estamos muito apertados de tempo para fazer candidaturas. Temos o próximo fundo comunitário de apoio… Teremos de estar muito focados nos prazos, na capacidade de execução, com todas as dificuldades que teremos, com as Jornadas Mundiais da Juventude… São mais do que razões suficientes para termos alguma estabilidade governativa e termos espaço no nosso campo de acção para nos focarmos no que é verdadeiramente importante”, diz o autarca.

“Se nos perdermos nestes quatro anos em guerrilhas políticas quem vai perder com isso é a população do concelho”, nota ainda Ricardo Leão, adiantando ainda que o acordo prevê a viabilização por parte do PSD de um conjunto de instrumentos estratégicos na gestão da cidade, como os orçamentos. Faltam ainda conhecer mais detalhes do acordo. 

A noite eleitoral trouxe mais algumas mudanças à estrutura do executivo: PS e CDU mantiveram quatro vereadores, o PSD perdeu um para o Chega, mantendo-se com dois.

Nélson Batista, de 51 anos, licenciado em Gestão, e que foi no último mandato presidente da Junta de Freguesia de Lousa, na zona norte do concelho de Loures, encabeçou a candidatura social-democrata nas últimas eleições. Assumirá as pastas do Ambiente, Zonas Verdes e Floresta, serviços públicos ambientais e de Economia e Inovação. 

Vasco Touguinha, de 33 anos, advogado e ex-líder da JSD de Loures ficará com as divisões do Turismo, Veterinária e com as unidades de Biblioteca e Leitura Pública e Património e Museologia. 

Não é a primeira vez que o PSD dá a mão a quem está no poder em Loures para viabilizar a governação.​ Quando, em 2013, a CDU conquistou o concelho ao PS sem maioria, Bernardino Soares foi à direita buscar o apoio dos dois vereadores sociais-democratas, então eleitos pela coligação Loures Sabe Mudar, que, além do PSD, integrou também o Movimento Partido da Terra e o Partido Popular Monárquico. Fernando Costa assumiu então o pelouro dos Serviços Jurídicos e Nuno Botelho ficou com as áreas do Turismo, Polícia Municipal, coordenação do Contrato Local de Segurança e serviços do veterinário municipal.

Agora, oito anos depois, a solução governativa encontrada repete-se, embora com novos protagonistas.

O novo presidente, Ricardo Leão, que tomou posse na passada quinta-feira, ocupou no último mandato o cargo de presidente da Assembleia Municipal de Loures. Antes disso, entre 2001 e 2017 fora já vereador, com e sem pelouros, naquela autarquia. Foi também durante seis anos deputado na Assembleia da República, mandato ao qual renunciou para assumir as funções autárquicas.

Este acordo, confirmou o Ricardo Leão ao PÚBLICO, é extensível às juntas de freguesia que estão nas mãos dos socialistas e onde o partido não tem maioria absoluta.

Apesar de a câmara ter mudado de mãos, a freguesia de Loures continuou na CDU, assim como Fanhões e Santo Antão e São Julião do Tojal. Os comunistas perderam Bucelas para o PS. 

Já a União das Freguesias de Camarate, Unhos e Apelação, de Moscavide e Portela, de Sacavém e Prior Velho, de Santa Iria de Azóia, São João da Talha e Bobadela e de Santo António dos Cavaleiros e Frielas mantiveram-se socialistas como há quatro anos. A freguesia de Lousa é a única nas mãos do PSD.