Nem sondagens nem resultados parciais permitem declarar um vencedor na Alemanha

Tanto Armin Laschet como Olaf Scholz dizem querer formar governo quando o SPD tem uma ligeira vantagem. A CDU está a caminho do pior resultado da sua história, e os Verdes do melhor de sempre.

Armin Laschet votou com o boletim ao contrário
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Armin Laschet votou com o boletim ao contrário Reuters/THILO SCHMUELGEN
Espera-se que mais de 40% dos votos tenham sido enviados pelo correio
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Espera-se que mais de 40% dos votos tenham sido enviados pelo correio Reuters/MICHAELA REHLE
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Reuters/WOLFGANG RATTAY

O Partido Social Democrata (SPD) e a União Democrata Cristã (CDU/CSU) estão praticamente empatados, segundo as projecções com base em resultados parciais, em que o SPD parecia estar ligeiramente à frente com 26% e a CDU/CSU muito perto com 24%. Os dois candidatos, Armin Laschet, da CDU/CSU, e Olaf Scholz, do SPD, dizem que vão tentar formar Governo.

Os Verdes aparecem com 14% (uma grande subida em relação aos 8,9% das eleições anteriores), o Partido Liberal Democrata (FDP) com 11% (praticamente igual aos 10,7% de 2017), a Alternativa para a Alemanha com 10% (menos do que 12,6% da última eleição), e Die Linke (A Esquerda) mesmo na linha da entrada no Parlamento, com 5% (uma grande queda em relação aos 9,2% de 2017).

Os dois cenários mais prováveis são uma coligação “semáforo”, entre SPD, Verdes e FDP, ou uma coligação “Jamaica”, entre CDU/CSU, Verdes e FPD.

A coligação de esquerda, juntando SPD, Verdes e Die Linke (se este se tiver 5% ou mais), não tem maioria, e por isso a única outra opção de coligação seria a “grande coligação”, CDU/CSU e SPD, ainda que, como comentava o jornalista da ZDF que apresentava os resultados parciais, “esta não seja assim tão grande”.

Na tradicional discussão com os candidatos e chefes dos partidos depois dos primeiros resultados, o liberal Christian Lindner sublinhou que mais de 75% dos cidadãos não votaram no partido do próximo chanceler.

Lindner sugeriu que, como Verdes e liberais são parceiros obrigatórios para uma coligação diferente da que forma o governo actual (uma combinação que ninguém quer), faria sentido que falassem primeiro para ver onde podem encontrar compromissos. E só depois veriam se era mais fácil esse compromisso num governo liderado pela CDU/CSU ou pelo SPD.​ Uma sugestão parecida tinha sido antes feita pelo co-líder dos Verdes Robert Habeck.

Na mesma discussão, a líder e candidata a chanceler dos Verdes, Annalena Baerbock, não indicou claramente uma preferência de coligação (os Verdes têm mais semelhanças com o SPD). No Twitter, o cientista político Heinz Brandenburg dizia que ao não expressar uma preferência de coligação, Baerbock deixava a Lindner a hipótese de ter maior potencial de veto. Outro cientista político, Jan Berz, contrapôs que os liberais já recusaram uma coligação uma vez (a Jamaica, em 2017 – que deixou o SPD quase obrigado a juntar-se ao Governo e permitiu ao partido nacionalista AfD ser a maior força da oposição). Os liberais, sublinhou, terão muito mais dificuldade em ser eles a recusar, de novo, uma coligação. 

"Respeitar os eleitores"

É mais fácil para Scholz invocar a subida do SPD (de 20,5% para 24 a 26%) para se apresentar como vencedor, e repetiu que houve um partido que subiu claramente e outro que desceu claramente (a CDU/CSU, de 32,9% para, potencialmente, 24%), sendo preciso “respeitar” os eleitores. Por outro lado, na ronda com os “pesos-pesados”, a moderação pressionou Laschet para dizer se, no caso de ficar, realmente, em segundo, não tiraria responsabilidades desse resultado. 

Vários analistas avisaram, no entanto, que os números do início da noite de domingo podem ainda sofrer alterações substanciais, já que uma grande percentagem, estima-se que até 40%, dos votos pode ter sido enviada pelo correio.

Se se confirmarem estas percentagens, este será o pior resultado para a CDU/CSU (em 1949 tiveram 31%) e o melhor de sempre para os Verdes (o mais alto tinha sido 10,7% em 2009).

As declarações dos candidatos confirmaram o medo de vários observadores de que os dois potenciais candidatos a chanceleres, Armin Laschet, por um lado, e Olaf Scholz, por outro, levem a cabo negociações paralelas para uma coligação de governo, já que não há quaisquer regras que impeçam que isso aconteça.

Formará governo quem negociar uma coligação que tenha apoio de uma maioria do Parlamento, e são os deputados quem elege o chanceler.

O primeiro a falar foi o democrata-cristão. Armin Laschet disse que, embora não fosse possível ficar contente com o resultado, esta eleição é excepcional. E cada voto na CDU foi um voto contra um governo de esquerda, argumentou, pelo que vai tentar formar um governo.

Pouco depois falou Annalena Baerbock, muito aplaudida, dizendo que, embora o partido “quisesse mais”, isso não foi possível também devido a erros, pelos quais assumiu a responsabilidade. Mas os resultados querem dizer que há força para um governo do clima”, defendeu.

Finalmente, Olaf Scholz apareceu para agradecer aos apoiantes e dizer que os primeiros resultados mostram que as pessoas querem uma mudança de governo, e querem “que o chanceler seja Olaf Scholz”.

Uma sondagem parecia mostrar que é de facto assim: segundo o instituto FW, 55% escolheriam Scholz para chanceler, enquanto 36% prefeririam Laschet.