Libertados portugueses suspeitos de violarem jovens em Gijón

Detidos preventivamente desde Julho, arguidos aguardarão julgamento em liberdade juntamente com restantes suspeitos.

Foto
Germán Inclán, advogado dos portugueses

Foram libertados esta sexta-feira os dois jovens portugueses detidos no final de Julho por suspeitas de terem abusado sexualmente de duas espanholas numa pensão de Gijón, em Espanha.

Aguardarão o respectivo julgamento em liberdade, noticiou nesta sexta-feira a imprensa espanhola, que adianta que para saírem da prisão onde estavam presos preventivamente tiveram de pagar uma caução de cinco mil euros.

As duas jovens de 22 e 23 anos, uma de Gijón e outra da cidade de Bergara, no País Basco, contam que conheceram um homem num bar e que foram com ele para a pensão onde este estava hospedado, para um encontro sexual. No caminho para a hospedaria juntou-se-lhe outro homem e, ao chegarem ao alojamento, encontraram dois outros portugueses que as terão obrigado a manter relações sexuais com todos eles.

Dois dos suspeitos acabariam por ser mais tarde libertados e regressaram a Portugal, enquanto os outros ficaram detidos no centro penitenciário das Astúrias, após um juiz ter decretado a sua prisão preventiva, a 26 de Julho, sem direito a fiança.

O advogado dos portugueses, Germán Inclán, apresentou um recurso para obter a libertação dos dois suspeitos, mas viu a sua pretensão ser recusada por uma juíza que considerou que existia perigo de fuga. Só agora o conseguiu. Tem afirmado que as relações sexuais foram consentidas e entregou às autoridades um vídeo gravado durante os acontecimentos que alegadamente o comprova. Outra das provas que tem esgrimido a seu favor é o relatório médico do hospital onde as duas mulheres foram observadas, que, segundo diz, atesta “lesões muito ligeiras”.

Oriundos do concelho de Famalicão, os jovens terminavam em Gijón uma semana de férias que já os levara a Valladolid, Bilbau e Santander quando tudo aconteceu. As duas alegadas vítimas estavam igualmente de férias. 

O caso gerou alguma comoção em Espanha, tendo chegado a haver uma concentração na Plaza Mayor de Gijón. Cerca de duas centenas de pessoas quiseram mostrar a sua solidariedade para com as duas raparigas. Algumas empunhavam cartazes. “Contra a violência sobre as mulheres”, “Pela justiça, já basta”, “Basta de manadas”. Exigiam que se reconhecesse que o que aconteceu “é um crime, um atentado, e que terá consequências”.

Ainda de acordo com a imprensa espanhola, foi retirado o passaporte aos portugueses agora libertados, que estão proibidos de se aproximarem das vítimas.