Bruxelas vai tornar obrigatórios carregadores universais para aparelhos electrónicos

Equipamentos como telemóveis, tablets, consolas de videojogos e câmaras fotográficas terão de ter porta de carregamento USB-C e serão vendidos sem carregadores adicionais.

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Thierry Breton, comissário europeu para o Mercado Interno EPA/OLIVIER HOSLET

A Comissão Europeia vai tornar obrigatória a utilização de um carregador universal para equipamentos electrónicos como telemóveis, câmaras fotográficas digitais ou consolas de videojogos, e também exigir o uso de uma tecnologia comum para o carregamento rápido desses aparelhos.

O comissário europeu para o Mercado Interno, Thierry Breton, apresentou esta quinta-feira uma proposta de revisão legislativa, que o executivo espera ver aprovada durante o próximo semestre, para forçar os fabricantes de equipamentos electrónicos a oferecer uma solução universal de carregamento para uma série de aparelhos electrónicos portáteis — de smartphones a tablets, auscultadores e microfones, colunas de som, câmaras fotográficas e consolas de videojogos. Os fabricantes terão um prazo de dois anos para se adaptar à mudança.

A solução prevista pelo executivo comunitário para acabar com a actual “diversidade” de carregadores para equipamentos electrónicos assenta na harmonização da porta de carregamento do tipo USB-C, que já é a mais comum neste tipo de dispositivos. Em termos de carregamento rápido, a proposta aponta para o recurso à tecnologia USB PD, para que a velocidade seja idêntica independentemente do tipo de dispositivo.

Como todos os equipamentos electrónicos vão poder ser alimentados por um único carregador, a Comissão vai obrigar os produtores a retirar esses apetrechos das embalagens dos seus aparelhos, ou seja, os consumidores poderão adquirir apenas os dispositivos em que estão interessados sem ter de pagar também pelo respectivo carregador.

O comissário evocou a experiência quotidiana de milhões de pessoas, que têm de recorrer a diversos carregadores para manter os seus aparelhos em funcionamento, e concluiu que “era preciso fazer alguma coisa” para facilitar a vida dos consumidores e reduzir a pegada carbónica na produção e eliminação de equipamentos electrónicos: como sublinhou Thierry Breton, a utilização de um carregador universal permitirá economizar mil toneladas de resíduos electrónicos e 180 mil toneladas de CO2 por ano.

“Há mais de dez anos que a Comissão tentava encontrar uma solução para este dilema da compatibilidade e interoperabilidade”, lembrou o comissário, reconhecendo que a pressão de Bruxelas produziu “alguns avanços”. “Conseguimos passar de cerca de trinta para apenas três tipos de carregadores, mas ainda faltava dar este último passo de tornar obrigatório o carregador universal”, observou, confirmando que após a transposição da directiva, será proibido vender aparelhos que não respeitem as novas disposições técnicas.