Ricardo Salgado preferiu tirar a máscara

Os tribunais podem contagiar, mesmo com máscara. Na Sardenha, Salgado tirou a máscara e desmascarou-se.

Segundo as notícias, Ricardo Salgado foi fazer exames médicos à Suiça e seguiu daquele país para a Sardenha em férias. Em julho, é normal gozar férias. Aparece nalgumas fotos provenientes da Sardenha e, numa delas, não segue as regras sanitárias do uso de máscara obrigatório em espaços públicos, parecendo ir a caminho de um restaurante/pastelaria.

A Sardenha é conhecida pela sua beleza e pelas praias paradisíacas que bordejam as suas costas. A cor das suas águas está espalhada pelo mundo. Um homem que enfrentou o oceano a caminho das terras de Vera Cruz nos seus iates, sempre bem acompanhado, não desprezaria nunca as águas da Sardenha.

Há um apelo antiquíssimo de algumas estirpes de homens e mulheres por certos lugares. No fundo, esses seres humanos aceleram o percurso que os leva ao Paraíso, frequentando estágios de habituação a esse destino final.

Antes da existência legal de estágios laborais, nos antípodas situavam-se os estágios permanentes dos Todo-Poderosos nos mais belos locais do “nosso” Planeta.

De Petra ao Taj Mahal, do Machu Picchu ao Nilo, da Patagónia ao Gobi, das noites brancas do Ártico ao Palácio Azul de Pequim, estes Senhores estagiaram antes de as suas almas viajarem a velocidades hipersónicas a caminho do verdadeiro Paraíso pelo qual, às suas ordens a golpes de espada e de balázios, enviaram milhões para o Inferno, os quais acreditavam que voavam para outro Paraíso que não o dos vencedores.

À medida que o longo tempo se foi derramando, a Humanidade inventou as Casas da Justiça, as quais, na boa interpretação original, deveriam ser um paraíso porque ali se faria justiça igual para todos e todas. Esta é a justiça terrena capaz de apaziguar e, nesse sentido, os chamados àquela casa nela entrariam como quem um dia entrará no Reino da melhor justiça, aquela em que cada crente entende ser a melhor, ficando de fora os não crentes ou ateus.

Apesar disto, é compreensível que Ricardo Salgado, antigo dono do BES, não troque as águas turquesas da Sardenha pelos bancos rudes e duros do Tribunal Criminal de Lisboa, habituado desde menino aos melhores paraísos desta Terra.

De cima da sua idade não podia correr o risco de se infetar na Casa da Justiça. Os tribunais podem contagiar, mesmo com máscara. Na Sardenha, Salgado tirou a máscara e desmascarou-se.

O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico