Incêndios “sem precedentes” deixam rasto de destruição na Sardenha

Além da ilha mediterrânica italiana, outros pontos do Sul da Europa estão a lutar contra incêndios, contrastando com o Norte da Europa que ainda está a sofrer com chuvas fortes e inundações.

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Um terreno queimado em Scano di Montiferro, na província de Oristano, na ilha da Sardenha MANUELE SCORDO/EPA

Desde sábado que mais de 20 mil hectares do Sudoeste da ilha da Sardenha, na Itália, foram consumidos por incêndios florestais, forçando à retirada de 1500 pessoas. Os jornais locais apelidaram os incêndios de “apocalípticos”, com danos a igualar ou potencialmente a superar os prejuízos causados pelos incêndios de 1983 e 1994.

As chamas deflagraram no sábado na província de Oristano e já destruíram propriedades e produções agrícolas. A pequena vila de Scano di Montiferro foi evacuada durante o fim-de-semana, e cerca de 400 pessoas foram forçadas a procurar refúgio. O mesmo aconteceu com habitantes de outras vilas e aldeias, incluindo em Santu Lussurgiu, Cuglieri, Sennariolo, Tresnuraghes, Magomadas, Flussio e Tinnura.

“Pus a minha família no carro e escapámos”, disse ao jornal italiano La Nuova Sardegna Carlo Inzis, empresário automóvel. “Primeiro fomos para Sennariolo, depois para Macomer e a seguir Bosa… No fundo, passámos toda a noite a fugir”, afirmou.

Christian Solinas, presidente da região de Sardenha, descreveu os incêndios como “um desastre sem precedentes”. Pelo menos “dez mil hectares de vegetação foram destruídos, lojas e casas foram queimadas e o gado morreu”, citou a Euronews.

Os fortes ventos quentes dificultaram os esforços dos mais de sete mil bombeiros e voluntários que no domingo tentaram combater as chamas. Perante a dimensão dos incêndios, as autoridades regionais declararam o “estado de calamidade”, para conseguir fundos do Governo central para responder aos prejuízos e apoiar as pessoas afectadas. “Precisamos de um plano de apoio imediato”, disse Solinas.

A nível central, a Itália pediu ajuda aos Estados europeus no domingo para enviarem aeronaves de combate aos incêndios, apelos respondidos por França e Grécia, no âmbito do Mecanismo de Protecção Civil da União Europeia. Mas receia-se que as chamas cheguem a Nuoro, no Oeste da Sardenha. No domingo, o incêndio continuava “activo em diferentes frentes”.

Sul da Europa em chamas

Além da ilha mediterrânica italiana, os efeitos dos incêndios sentiram-se no fim-de-semana no Sul de Espanha, em França e Grécia devido às condições climatéricas propícias para as chamas: altas temperaturas e ventos fortes.

Na Catalunha, no Nordeste de Espanha, mais de 1500 hectares foram destruídos, a maioria numa área natural protegida e forçando à retiradade dezenas de pessoas. A zona afectada situa-se perto de Santa Coloma de Queralt, quase a 100 quilómetros de Barcelona. Nesta segunda-feira, as chamas foram estabilizadas, segundo as autoridades.

Em Lietor, em Castilla-La Mancha, mais de 2500 hectares arderam durante o fim-de-semana. Só neste ano, os incêndios florestais em Espanha já queimaram cerca de 35 mil hectares.

Também o Sul de França foi afectado: um grande incêndio atingiu no sábado a região de Aude, perto das cidades de Narbonne e Carcassonne. Mais de 850 hectares arderam, e mais de mil bombeiros combateram as chamas. Na sequência do incêndio, uma linha de tensão muito alta sofreu um problema e foi desligada, originando um corte de energia em Espanha e Portugal.

Já na Grécia, nas últimas 24 horas os bombeiros têm combatido cerca de 50 incêndios, e as previsões meteorológicas apontam para uma possível onda de calor, o que aumenta o risco de haver mais. Por isso, o primeiro-ministro, Kyriakos Mitsotakis, apelou à vigilância das autoridades gregas, porque “Agosto continua a ser um mês difícil”.