Rui Moreira: “Preferimos que a TAP não venha cá e faça contas connosco”

Executivo de Rui Moreira aprova moção a enviar aos deputados eleitos pelo Circulo Eleitoral do Porto onde questiona papel da TAP. Rui Moreira acusa companhia aérea de visão colonialista

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Rui Moreira quer verba estatal que compense falta de investimento da TAP no Porto Nelson Garrido

O tema não é novo e a visão crítica do papel da TAP no Porto também não, mas valeu, desta vez, uma moção do movimento de Rui Moreira, subscrevendo uma exposição feita aos deputados eleitos pelo Circulo do Porto. O presidente da câmara diz que a cidade precisa de serviços regulares e linhas directas “como pão para a boca” e exige uma verba para compensar a falta de investimento da companhia aérea fora de Lisboa. “Preferimos que a TAP não venha cá e faça contas connosco”, afirmou na reunião do executivo desta segunda-feira.

“Se o Estado português entende que o hub de Lisboa é muito importante é uma opção do Estado. Se entende meter quatro mil milhões na TAP é legítimo e isso é matéria dos partidos políticos que devem tratar no Parlamento”, começou por referir Rui Moreira para logo chegar àquilo que é a exigência do Porto: “O que queremos é que, por uma questão de equidade e em contrapartida, seja inscrita no Orçamento do Estado uma verba equivalente para o Porto, Faro, Açores e Madeira poderem atrair operadores alternativos.”

Referindo a vontade de ter de volta ao Porto companhias como a United Airlines – e um voo diário para Nova Iorque -, o edil defendeu que o dinheiro público deveria sustentar parte disso. “A TAP que fique em Lisboa, resolva os seus problemas estratégicos e a sua visão neocolonial dos PALOP e deixem-nos recursos para atrairmos voos.”

O tom de “dispensa” à companhia aérea portuguesa não agradou a Manuel Pizarro, que embora subscreva algumas das críticas recusa prescindir da TAP. “O PS acha que o país tem de ter uma transportadora aérea de bandeira”, apontou o vereador, sublinhando concordar com um “financiamento complementar” para outras cidades que não Lisboa.

Por motivos parecidos, a vereadora Ilda Figueiredo também não quis subscrever a moção, escrita no seguimento de uma reunião do Conselho Municipal de Economia e o Conselho Municipal do Turismo da cidade do Porto, no dia 30 de Junho, onde estiveram 37 conselheiros, o autarca do Porto e ainda o vereador com o pelouro da Economia, Turismo e Comércio. Para a comunista, a TAP deve ser pública e ter uma cobertura nacional: “Não concordo com os termos da moção, porque dá de barato que a TAP deixe de ser o que devia ser e aposta numa solução privada.”

Para o social-democrata Álvaro Almeida, a TAP “não vale quatro mil milhões de euros” e é “inaceitável” gastar esse valor num projecto que é “regional”, mais do que nacional. O vereador considera haver apenas “meia dúzia” de rotas estratégicas na TAP e tem uma sugestão: “Já existe uma empresa portuguesa aérea que se concentra nessas rotas estratégicas, a Sata. Porque não se deixa cair a TAP e se usa a Sata?”

O plano estratégico da TAP foi entregue em Bruxelas, mas “não é do conhecimento dos agentes políticos e privados da região Norte”, refere a exposição transformada em moção que foi aprovada com os votos do movimento de Rui Moreira e do vereador Álvaro Almeida. Mostrando preocupação com a referência pelo ministro Pedro Nuno Santos à vontade de ter uma “TAP sustentável que possa manter a sua estratégia como hub”, o movimento de Rui Moreira sublinha a diminuição da quota de mercado da TAP no aeroporto Francisco Sá Carneiro nos últimos anos: em 2020 era de 14,44% e dez anos antes, em 2010, chegava aos 32,57.

Rui Moreira - que em 2016 escreveu, com o seu ex-chefe de gabinete, um livro sobre o tema: TAP - Caixa Negra - Os Bastidores da “Guerra Séria” Entre a TAP e o Porto – deixou a porta de saída aberta à TAP, que acusou de ter uma “visão colonial do país”. “Não é contra o Porto, acha é que o importante é Lisboa. É uma opção de política do Governo. Eu respeito, mas permitam-nos a nós fazer o nosso caminho.”