António Capucho convidado para liderar lista do PSD-CDS à Assembleia Municipal de Sintra

O cenário de uma candidatura já tinha sido admitido por António Capucho em diversas declarações nos últimos meses, mostrando alguma reaproximação ao partido.

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António Capucho, ex-presidente da Cãmara de Cascais Nuno Ferreira Santos

Quatro anos depois, António Capucho está de volta à corrida eleitoral em Sintra: o antigo presidente da Câmara de Cascais e líder da lista à Assembleia Municipal do movimento Sintrenses com Marco Almeida em 2013 foi convidado para ser o número um da coligação PSD/CDS precisamente para a Assembleia Municipal sintrense nas autárquicas de Setembro e a sua decisão está quase tomada. Questionado pelo PÚBLICO sobre o convite, António Capucho não quis, no entanto, comentar.

A coligação da direita “movimenta” assim de Cascais para Sintra os seus candidatos (que, aliás, residem no município cascalense). Ricardo Baptista Leite, que foi lançado em finais de Março para a corrida à presidência da câmara ocupada desde 2013 por Basílio Horta (PS), é actualmente deputado municipal em Cascais e já foi vice-presidente e vereador do mesmo concelho. António Capucho foi eleito presidente da Câmara de Cascais em 2001, 2005 e 2009 mas acabou por renunciar ao mandato em 2011. E em 2013 juntou-se a Marco Almeida, que se candidatou como independente, precisamente a liderar a lista à Assembleia Municipal de Sintra. Apesar de concorrer em coligação com o CDS, em Sintra o PSD reserva para si os dois cabeças de lista - algo que não acontece em Cascais nem em Oeiras.

O cenário de uma candidatura já tinha sido admitido por António Capucho em diversas declarações nos últimos meses, mostrando alguma reaproximação ao PSD, como aconteceu numa entrevista ao PÚBLICO em Março. Dizia estar “disponível para colaborar” com o PSD, ao qual havia regressado formalmente dois meses antes com um número de militante baixo e a antiguidade contabilizada a Outubro de 1974, mas “jamais em cargos de natureza executiva”.

Na mesma entrevista, pouco mais de uma semana antes de o PSD anunciar o deputado e médico Ricardo Baptista Leite como candidato à Câmara de Sintra, António Capucho continuava a defender que Marco Almeida, a quem teceu rasgados elogios, era o “o melhor” candidato para o município.

A decisão sobre a escolha de Capucho foi tomada na quinta-feira à noite depois de diversas divergências entre a concelhia, a distrital e a estrutura nacional do PSD. Um cenário de algum conflito que tem sido normal na nomeação de candidatos sociais-democratas para Sintra desde há várias eleições.

Foram essas desavenças que levaram o então vice-presidente Marco Almeida a avançar sozinho através de um movimento independente em 2013 depois de preterido pela direcção nacional do PSD por Pedro Pinto, e, entre outros episódios, que motivaram a saída de José Ribeiro e Castro da Assembleia Municipal, apenas dois meses e meio depois de ser eleito, em Setembro de 2017, como número um da lista conjunta do PSD com o CDS que Marco Almeida liderou para a câmara. “Foram problemas internos que levaram a que não tivesse condições políticas para continuar”, limitou-se a justificar, na altura, o centrista, sem querer adiantar pormenores.

Ao aliar-se em 2013 ao movimento independente, Capucho acabou, tal como Marco Almeida, por ser expulsos do PSD, mas depois do apoio que o partido deu a este último em 2017, ambos foram de novo aceites. Agora, foi Marco Almeida quem se auto-excluiu de qualquer candidatura — seria a terceira vez que iria a votos a liderar uma lista um mês depois de o PSD ter avançado com Ricardo Baptista Leite.