Mulher de 90 anos infectada com variantes Alfa e Beta ao mesmo tempo

É possível ser infectado por duas variantes do novo coronavírus ao mesmo tempo e talvez não seja tão raro como se pensa, alertam investigadores belgas. Mas são necessários mais estudos para saber se isso tem consequências na evolução da doença ou para as vacinas.

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Um célula infectada com o novo coronavírus Reuters/NIAID

Uma mulher belga de 90 anos que morreu depois de adoecer com covid-19 estava infectada com as variantes Alfa e Beta, ao mesmo tempo, revelam investigadores belgas, que alertam para a possibilidade de a co-infecção poder ser menos rara do que se pensa. 

Em Portugal foi descrito um caso semelhante em Dezembro de 2020, de uma adolescente que terá sido infectada por duas estirpes diferentes do vírus SARS-CoV-2 na mesma altura e que teve resultados positivos nos testes durante 97 dias. Na altura, não existia ainda nenhuma publicação científica conhecida que relatasse um caso idêntico. 

A idosa belga, que ainda não tinha recebido qualquer dose da vacina, foi internada num hospital da cidade de Aalst depois de ter sofrido uma série de quedas, em Março, e os testes revelaram que tinha covid-19. Acabou por morrer cinco dias depois.

“Ambas as variantes estavam a circular na Bélgica na altura, por isso é provável que a mulher tenha sido infectada por diferentes vírus de pessoas diferentes”, explicou a bióloga molecular Anne Vankeerberghen, do Hospital OLVA, que liderou a investigação, citada pela AFP. “Infelizmente, não sabemos como foi infectada.” 

Vankeerberghen considera que é difícil dizer se a co-infecção contribuiu para a deterioração rápida do estado de saúde da idosa. Lawrence Young, virologista da Universidade de Warwick, considera que é preciso mais investigação para saber se a presença de mais do que uma variante agrava a doença e também para perceber se pode comprometer a eficácia das vacinas, disse, citado na BBC. 

A investigação belga, que ainda não foi submetida para publicação nas revistas de especialidade, está a ser apresentada no congresso europeu de microbiologia e doenças infecciosasEmbora não existam muitos casos descritos na literatura médica, Vankeerberghen acredita que o fenómeno está provavelmente a ser subestimado, devido a muitas vezes não se fazer a sequenciação genética dos vírus. 

Em Janeiro, cientistas brasileiros reportaram que duas pessoas tinham sido infectadas simultaneamente com duas variantes do vírus, mas o estudo ainda não foi publicado.