Não deixe que a alergia ao sol estrague o seu verão

As reações de hipersensibilidade da pele podem ocorrer em qualquer idade. E, em Dia Mundial da Alergia, é importante chamar a atenção para o que fazer em caso de alergia ao sol.

Foto
Está recomendado o uso de protetores solares com fator de proteção solar igual ou superior a 50 Unsplash/Salvador Martin Yeste

O verão chegou! Esta época é sinónimo de calor, praia, piscina, atividades ao ar livre, o que faz com que a nossa pele esteja mais exposta ao sol. Daí podem resultar reações na pele, como a alergia ao sol.

A alergia ao sol, nome comum para as fotodermatoses, é uma reação de hipersensibilidade da pele provocada ou agravada pela exposição à luz solar ou a outras fontes luminosas (como, por exemplo, solários). Estas reações são diferentes de outras também associadas à exposição solar, como as queimaduras solares ou o cancro da pele.

As reações de hipersensibilidade ao sol podem ocorrer em qualquer idade. Apesar de nas crianças serem muito menos comuns do que nos adultos, cerca de um quarto dos casos de alergia ao sol manifesta-se antes dos 16 anos.

A maioria das reações são de causa desconhecida, mas algumas podem ser induzidas por medicamentos (aplicados na pele ou tomados por via oral ou injetável), produtos químicos ou outros compostos como, por exemplo, algumas plantas ou frutos. Há também fotodermatoses que são hereditárias; estas são raras e geralmente associam-se a outras alterações, mas tipicamente manifestam-se e são diagnosticadas na infância. Finalmente, há outros problemas de pele que a tornam mais sensível à exposição solar, como o lúpus ou alguns eczemas.

Quando deve suspeitar de alergia ao sol? Os sintomas variam de acordo com o tipo de hipersensibilidade, mas deve suspeitar de uma fotodermatose se, após exposição ao sol por um período curto, a pele ficar com manchas vermelhas e/ou pápulas (borbulhas), com comichão intensa e/ou inchaço, de predomínio nas zonas expostas (por exemplo na face, na zona do decote ou nas costas das mãos ou braços). Estes sintomas podem surgir imediatamente após a exposição solar ou apenas ao fim de algumas horas.

Dentro das fotodermatoses, a erupção polimorfa à luz é a mais frequente na infância. Esta forma de hipersensibilidade ao sol caracteriza-se pelo aparecimento de uma erupção cutânea (pele vermelha com borbulhas), que causa comichão, algumas horas após a exposição solar; geralmente aparece em zonas que apanham pouco sol durante o ano e começam a estar mais expostas no verão (por exemplo, a zona do decote) e manifestam-se de forma recorrente, em vários verões, resolvendo sem deixar cicatrizes.

A urticária solar é outro tipo de fotodermatose, mas ocorre muito mais raramente do que a erupção polimorfa à luz, especialmente nas crianças. Na urticária solar também surgem pápulas vermelhas que causam comichão (parecidas com as que surgem ao contactar com urtigas), mas de forma muito rápida (em poucos minutos) após a exposição solar. Estas lesões também se resolvem rapidamente, tipicamente em poucos minutos ou horas (menos de 24 horas).

As fotodermatoses associadas a medicamentos ou a produtos que contactam com a pele são pouco comuns na infância. No entanto, podem ocorrer associadas a alguns antibióticos (por exemplo, os que são usados no tratamento do acne) ou a cosméticos, incluindo protetores solares.

E o que fazer para prevenir estas reações? O mais importante é limitar a exposição solar e usar medidas de fotoproteção adequadas ao tipo de pele e idade da criança. Sempre que possível, a exposição solar deve ser evitada e/ou limitada aos períodos de menor risco (de manhã cedo ou ao final do dia). É também importante que seja feita de forma gradual e não repentina. O uso de roupa que evite a exposição direta ao sol e de chapéus com abas largas é também aconselhável e uma forma importante de proteção!

Está recomendado o uso de protetores solares com fator de proteção solar igual ou superior a 50, que devem ser aplicados em abundância e de maneira uniforme, iniciando 15 a 30 minutos antes do início da exposição solar; para manter a sua eficácia, é fundamental que sejam reaplicados frequentemente (pelo menos a cada 2 horas).

Em algumas destas situações, pode ser feito um tratamento preventivo com medicamentos que ajudam a que estas reações não se manifestem. Mas, mesmo com todos estes cuidados, a alergia ao sol pode manifestar-se. Nesse caso, pode ser preciso fazer tratamento com anti-histamínicos orais ou corticoides tópicos. Em situações mais graves pode ser preciso tratamento com outros medicamentos. 

Caso suspeite de uma alergia ao sol, é fundamental que consulte um médico, preferencialmente um imunoalergologista ou dermatologista: ele irá ajudar a identificar o tipo específico de hipersensibilidade e dar as indicações necessárias para prevenir novos episódios.


A autora escreve segundo o Acordo Ortográfico de 1990