Arkana põe Renault à reconquista das famílias

Um modelo 100% novo que se apresenta como um SUV, mas que chega com traços de coupé, tentando de certa forma estender os seus tentáculos a vários gostos. Tudo para reconquistar o segmento C, dos compactos familiares.

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A Renault tem um plano: ser até 2030 a marca mais verde na Europa e ter uma forte presença no segmento C, no qual se incluem veículos de características familiares. Para tal, a aposta não passa apenas por reforçar a ofensiva de modelos bem posicionados no mercado, como o Mégane, que surge agora numa versão electrificada de ligar à corrente, à qual voltaremos, mas que é capaz de cumprir o dia-a-dia do condutor europeu médio sem recorrer à mecânica térmica (haja onde o recarregar ao final do dia…). Na verdade, a Renault, que é líder de vendas em Portugal há anos consecutivos, mas no segmento B, com o Clio, pretende vincar ainda mais a sua presença no segmento dos compactos familiares, a começar pelo lançamento de um modelo totalmente novo e que, diz a marca, vem estrear um conceito entre as marcas generalistas, a dos SUV coupés.

Será graças a este novo perfil, o qual tem vindo a ser explorado por marcas premium nos últimos tempos, que, acredita o emblema gaulês, se conseguirá reconquistar clientes que têm vindo a “fugir” para marcas concorrentes. É que, se por um lado, o Arkana se comporta como um verdadeiro SUV (e basta pô-lo à prova por terrenos mais agrestes ou arenosos para se perceber que, com 20cm de altura ao solo, está à altura do desafio — em traçados de dificuldade fácil/média), por outro, satisfaz os caprichos de quem nunca conseguiu ser conquistado pelo aspecto mais quadradão dos sport utility vehicle, mesmo que a posição de condução elevada e as entradas e saídas facilitadas fossem factores na lista dos prós a considerar.

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Em termos de design, o Arkana apresenta-se com uma cintura elevada e uma linha de ombros pronunciada, embora a sua presença em estrada se deva muito a uma assinatura luminosa 100% LED. Em termos estéticos, a versão RS Line dá-lhe uma aura mais desportiva, através, por exemplo, da inclusão de jantes específicas.

Assente na mesma plataforma modular que dá vida ao Clio ou ao Captur, a CMF-B, este Arkana nada tem a ver com o automóvel homónimo que a Renault comercializa na Rússia desde 2019, que tem na sua base a plataforma do Dacia Duster, sendo a sua produção realizada numa diferente fábrica, no caso, na Coreia do Sul. E o mercado parece ter reagido bem à sua concepção: em três meses, a Renault diz ter registado, globalmente, mais de dez mil encomendas, o que ultrapassou as expectativas.

Com um comprimento de 4,568m, a Renault apresenta este Arkana como um automóvel de “forte personalidade”, “espaçoso”, com uma “posição de condução elevada” e “amigo do ambiente”, já que, no caso do último aspecto, apresenta-se sempre com algum tipo de hibridização, suave ou integral: os 1.3 TCe 140 EDC7 (desde 31.600€) e 1.3 TCe 160 EDC7 (a ser lançado mais tarde), que recorrem a um pequeno motor eléctrico de 12V, e o 1.6 E-Tech 145 (a partir de 33.100€), acoplado a uma caixa automática multimodo, um full-hybrid, cujo sistema, baseado na Fórmula 1, particularmente em termos de recuperação e regeneração de energia, torna o automóvel capaz de respostas mais céleres, além de permitir uma poupança de combustível e uma redução nas emissões de CO2.

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Quando ao comportamento dinâmico, a Renault informa que a suspensão foi trabalhada no sentido de ter uma melhor resposta no asfalto e, nas viagens de cerca de 150 quilómetros em cada uma das motorizações disponíveis, foi possível observar a forma competente como o Arkana se cola à estrada. Já o desempenho irá depender do modo de condução seleccionado no sistema My Sense (Normal, Eco e Sport), mas é fácil de perceber que o carro recupera bem sempre que tal lhe é exigido depois de se ter de abrandar a marcha por alguma razão.

Importante para um modelo que tem nas famílias o seu cliente preferencial é a segurança, a qual foi premiada com as cinco estrelas Euro NCAP, obtidas graças à inclusão de zonas deformáveis, a um eixo traseiro trabalhado para melhorar o desempenho em curva e, como não podia deixar de ser, a um pacote que inclui 12 assistentes à condução. Já airbags, há oito, incluindo os de cortina, menos comuns neste segmento.

No habitáculo, onde reina o espaço para qualquer um dos ocupantes, tanto ao nível das pernas como da altura como dos ombros, há também uma boa utilização dos recantos para arrumação: no total, encontram-se mais de 26 litros para ocupar. Não há, contudo, nenhuma revolução, tendo a Renault optado por dotar o Arkana com o que de melhor já faz noutros modelos. No entanto, o automóvel, cuja produção não foi afectada pela escassez de semicondutores, chega para já sem sistema de carregamento por indução ou com um ecrã mais pequeno, precisamente pela crise dos chips.

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Na mala, é disponibilizada uma volumetria útil de 513 litros — mais do que no Kadjar, um concorrente dentro da própria casa, mas que a marca do losango assume como um produto que tem os seus próprios clientes —, sendo que no E-Tech 145 o espaço encolhe 33 litros para 480.