Formação de professores: o que realmente importa

Muitas vezes, os professores são empurrados para formações que em nada acrescentam às suas competências e conhecimentos, apenas e exclusivamente porque necessitam de créditos para a progressão na carreira. Está tudo errado!

O conceito de formação deriva da palavra latina formatĭo. Trata-se da ação e do efeito de formar ou de se formar.

No que diz respeito à área docente, a noção de formação deveria ter exclusivamente como objetivo a atualização (reciclagem) de conhecimentos e de metodologias ao nível do ensino ou até a aprendizagem de conteúdos necessários ao ensino.

Porém, muitas vezes, não direi sempre e ainda bem, os professores são empurrados para formações que em nada acrescentam às suas competências e conhecimentos, apenas e exclusivamente porque necessitam de créditos para a progressão na carreira.

Está tudo errado!

Enquanto formadora de Professores de Português há mais de vinte anos, muito tenho observado e refletido sobre o assunto.

Assim, por exemplo, no que diz respeito ao ensino do Português, na última década, praticamente todos os anos letivos tem havido alterações ou terminológicas ou gráficas ou do programa. Os professores desta disciplina têm sido autênticos heróis para conseguirem acompanhar tantas transformações!

Pior: as alterações são feitas e os docentes só tomam conhecimento quando já estão aplicadas nos manuais.

Além disso, quando pretendem formação sobre as mesmas, são raras, estão lotadas, as que são oferecidas nos Centros de Formação, e as restantes, particulares, são pagas a peso de ouro.

E depois gasta-se dinheiro a oferecer aquilo de que os professores não precisam e que fazem apenas e exclusivamente porque necessitam de créditos.

Precisamos de pensar a educação, mas de a pensar com seriedade.

Os professores gostam de aprender, sim, mas assuntos que têm a ver com a sua área e que os ajudem a melhorar as suas práticas. E precisam de tempo para o fazer. E eis outra questão: não se contempla tempo no horário do professor dedicado à formação, o que não acontece nas outras profissões.

Gostaria ainda que refletissem sobre outro aspeto: depois de um dia de trabalho, a lecionar turmas quantas vezes indisciplinadas, que vigor tem um professor para aprender?

Não nos podemos esquecer que os professores são uma classe envelhecida, que se agarra à educação com a força de fazer melhor. Mas o cansaço acumula-se, assim como a tristeza de não terem tempo para os netos.

Enquanto formadora de professores, agradeço-lhes o esforço a que assisto para acompanharem tanta mudança, tanta alteração. É preciso muita capacidade, muita resiliência!

Enquanto formadora de professores, só queria acrescentar que o que realmente importa é saber o que andamos todos aqui a fazer, não empatar tempo, mas, sim, saber aproveitá-lo.

Formar professores é contribuir para a sua atualização científica, pedagógica e até digital. É debater com eles assuntos que lhes interessam e que poderão contribuir para a melhoria do exercício da sua profissão.

A autora escreve segundo o novo acordo ortográfico