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O que falta num bom livro? Um bom vinho. Maria João escolhe-os

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Desanimada com o número de leitores em Portugal, "onde as pessoas, com sorte, lêem um livro por ano”, Maria João Venâncio criou um conceito – o “booktasting”. Porque, diz, “se os portugueses lêem pouco, há uma coisa de que gostam muito de fazer: beber vinho”. Assim, no final de 2019, começou a emparelhar livros e vinhos no Instagram. Chamar mais portugueses ao mundo das letras, que cheguem por causa do vinho e depois acabem por ler a opinião do livro”, é a vontade da copywriter lisboeta.

Para tal, fotografa a capa de cada obra e monta uma espécie de resumo visual do que acontece entre páginas. De algemas a grãos de café, bússolas, latas de sardinha ou até armas (“a brincar, claro”), a fundadora do Booktasting abre alas para as suas opiniões literárias ao tornar palpáveis os cenários de cada narrativa. “Não sou especialista nem em livros, nem em vinhos, são tudo só paixões”, sublinha, mas considera que a crítica literária é, geralmente, “dirigida a quem já gosta de ler”, o que não é o caso do público que pretende atingir.

De “escritores mais novos como Afonso Reis Cabral, até clássicos como o Dostoiévski” e todos os autores “que cabem pelo meio”, a estante de Maria João Venâncio é ecléctica. A ideia inicial era fomentar a curiosidade, “fazer mais gente apaixonar-se por um livro ou ficar com vontade de ler”. Já leu muito mais do que as quase 90 obras que avaliou na sua página de Instagram, mas apenas dá palco àquelas que, na sua opinião, valem a pena ser lidas. “Falar dos livros de que não gostei, não acho que seja o caminho para interessar ninguém”, confessa.

Mas num país como Portugal — com tanto por onde escolher em cada frente — como é que se aliam livros e vinhos? Para Maria João Venâncio, tem tudo a ver com a estação do ano. Tal como manda a tradição, no Verão bebem-se mais brancos, no Inverno mais tintos. Depois, vem o estado de espírito. “Já tentei e não consigo ler Charles Dickens no Verão, o ambiente do livro não encaixa e, portanto, Charles Dickens vai levar com vinho tinto seguramente porque eu vou lê-lo no Inverno”, assegura. E não vale beber uma garrafa de vinho e ler um livro de uma assentada só.

Texto editado por Amanda Ribeiro

Maria João Venâncio
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