Amar a língua até a asfixiar?

Permitir que o sentimento de amor à diversidade da língua, que eu partilho, descambe em “micrologia”, no sentido grego antigo, é que é um erro equivalente aos dos pais que gostam tanto dos filhos que querem que eles sejam pequenos para sempre.

Curiosamente, os gregos antigos não usavam a palavra megalomania, que para nós significa “mania das grandezas”, mas que nasceu só com a psiquiatria do século XIX. Mais curiosamente ainda, os gregos antigos tinham uma palavra para o seu oposto: Mικρολογία, ou micrologia, que usavam para satirizar argumentos fastidiosos ou picuinhas, obcecados com aquilo que mais tarde se chamaria o “narcisismo das pequenas diferenças”.