Total anuncia adiamento por um ano de megaprojecto em Moçambique

Organização moçambicana sublinha efeito do adiamento do projecto de gás natural na dívida do país.

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Obras em Afungi de preparação para alojamento de trabalhadores num dos projectos de gás natural da região ANTÓNIO SILVA/Lusa

O adiamento, por um ano, do megaprojecto de gás natural da empresa francesa Total em Afungi, na província de Cabo Delgado, no Norte de Moçambique, traz problemas para a dívida do país que fica numa situação cada vez mais preocupante, diz a ONG Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD).

O responsável da Total Jean-Pierre Sbraire anunciou, na semana passada, que o grupo deverá adiar pelo menos um ano o projecto de gás natural em Moçambique liderado pela empresa, que vale 20 mil milhões de dólares.

Sbraire confirmou ainda que a Total retirou todo o seu pessoal na sequência de um ataque de insurrectos no mês passado – uma parte tinha já sido retirada em Janeiro. A Total esperava começar a produzir gás natural no projecto Mozambique LNG em 2024, e o adiamento agora anunciado quer dizer que isso não deverá acontecer antes de 2025.

“Obviamente, estes acontecimentos [ataques dos grupos de insurrectos] vão ter impacto no projecto e esperamos neste estádio um impacto de uma demora de pelo menos um ano”, disse Sbraire. “Esperamos que as acções levadas a cabo pelo Governo de Moçambique e dos seus parceiros regionais e internacionais venham permitir a segurança e estabilização da região de Cabo Delgado de modo sustentado.

Na sexta-feira da semana passada, lembra o CDD, o Governo moçambicano tinha garantido à petrolífera francesa “total empenho” para restabelecer a segurança em Cabo Delgado, condição essencial para a retoma dos trabalhos do projecto.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) traçou em Abril de 2020 uma possibilidade de um cenário optimista para a dívida moçambicana (o país está entre os dez mais endividados do mundo), mas este, sublinha o CDD, era muito dependente da produção de gás natural começar já em 2023. Outras empresas com projectos na região tiveram também adiamentos pela degradação das condições de segurança.