Iglesias: “Deixo todos os meus cargos, deixo a política”

O líder e dirigente do Podemos quis travar uma última batalha eleitoral. O objectivo era travar a direita e falhou.

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Aos 42 anos, e depois de ter chegado à vice-presidência do Governo, Iglesias deixa a política Kiko Huesca/EPA

Madrid foi mesmo a última batalha de Pablo Iglesias. Assim que os boletins acabaram de ser contados, o líder e fundador do Unidas Podemos, partido que em poucos anos mudou o panorama partidário em Espanha e o próprio país, anunciou que deixa todos os cargos e abandona a política. “Deixo todos os meus cargos. Deixo a política”, afirmou.

“Deixo a política entendida como política de partido e institucional”, disse Iglesias, quando já se sabia que a lista que decidiu encabeçar, abandonado para isso a vice-presidência do Governo nacional, não conseguira mais do que 7,23% dos votos e dez deputados.

“Continuarei comprometido com o meu país, mas não vou ser um bloqueio à renovação das lideranças”, explicou, confirmando assim o que muitos tinham lido na sua decisão de deixar o Governo.

Ao anunciar a sua candidatura, Pablo Iglesias disse que iria lutar para travar o “fascismo” – não apenas da extrema-direita do Vox, mas de Isabel Díaz Ayuso, a presidente do PP agora reeleita à frente da comunidade de Madrid, que não se coibiu de apelar ao eleitorado do partido de Santiago Abascal. 

O Podemos até melhorou o resultado de 2019, quando elegeu apenas sete deputados e teve 5,6% do voto – mas ficou muitíssimo atrás dos 27 deputados de 2015.

O objectivo mínimo, garantir que o partido não ficava atrás dos 5% que garantem representação na assembleia, foi assegurado, mas isso é muito pouco para um dirigente que queria travar a direita. Os resultados, descreveu, foram um “fracasso”.

O Podemos, que fundou em 2014 e dirigiu até esta terça-feira, acabou com o bipartidarismo em Espanha e integrou o primeiro Governo de coligação da história do país.