Um momento crucial para a Universidade de Lisboa

Impõe-se que a maior Universidade portuguesa aproveite um momento de transição para se (re)posicionar no plano nacional e internacional. O plano estratégico que apresentámos à comunidade académica concretiza as transições prementes: geracional, institucional, financeira, pedagógica, digital ou ecológica para a sustentabilidade.

Acabou um ciclo de poder na Universidade de Lisboa. As pessoas que protagonizaram esse ciclo organizaram-se para manterem o poder. Não surpreende. Costuma ser assim. Porém, tudo está a mudar e depressa. Os efeitos da pandemia ainda não são totalmente conhecidos, mas vão alterar quase tudo. Na sociedade e na Universidade que dela emana e para ela vive.

Com efeito, o tempo estranho que vivemos só vem reforçar a importância da Universidade para a sociedade, na investigação científica, na formação, na prestação de cuidados de saúde, no apoio psicológico, no estudo dos fenómenos sociais e de comportamento, na regulação jurídica do estado de exceção, na produção artística, na projeção de espaços adequados ao convívio em segurança, etc. Em suma, tudo aquilo que as 18 Escolas da ULisboa investigam, estudam e aplicam na sua atividade quotidiana.

Por isso, um grupo de docentes e investigadores tem vindo a discutir uma ideia de Universidade assente em planos e metas, ideias e soluções, métodos e medidas já divulgadas publicamente, como Programa Aberto, corporizadas numa candidatura ao Conselho Geral da ULisboa.

Concorremos num sobressalto cívico e universitário. Demos expressão política às nossas ideias para cumprir uma Universidade há tanto pensada e querida, mas sempre adiada. Não confundimos segurança com conservação; nem risco calculado com aventureirismo decisório. Preparámo-nos para este momento. Sabemos o que fazer e como fazer, correndo riscos e ousando errar, com a responsabilidade de representar aqueles que são o melhor da nossa esperança coletiva.

Estamos, por isso, profundamente convictos de que num contexto de pandemia, de fenómenos de relativização do conhecimento científico, de desafios de sustentabilidade, de escassez de recursos, impõe-se que a maior Universidade portuguesa aproveite um momento de transição para se (re)posicionar no plano nacional e internacional. O plano estratégico que apresentámos à comunidade académica concretiza as transições prementes: geracional, institucional, financeira, pedagógica, digital ou ecológica para a sustentabilidade.

A ULisboa com que sonhamos só pode ser a Universidade de Referência. Uma Universidade que seja exemplar na investigação, no ensino, na extensão e no apoio a políticas públicas; nos professores e investigadores que a integram e para os estudantes e investigadores que a procuram; no financiamento e sua gestão, na transparência e na prestação de contas; na responsabilidade social e no compromisso com a sociedade mais justa; para os nacionais que a conhecem e para os estrangeiros que a pesquisam e procuram.

Para tal, temos de mudar. Uma Universidade com a dimensão e a massa crítica de excelência da ULisboa tem de definir uma política robusta que prepare um século XXI muito mais “rápido” que o século XX, que nos desafia a definir os centros de conhecimento com uma estratégia holística, multidisciplinar, que capacite os cidadãos de amanhã para as exigências da vida em sociedade.

Acreditamos num Projeto que afirma a identidade de uma Universidade multicentenária pela sua capacidade de mudar, com coragem, sabendo estar à frente do seu tempo, no tempo de quem está… O nosso futuro integra este passado e está cheio de gente lá dentro. Universitários empenhados na criação de conhecimento inovador, na produção do património cultural do futuro, na formação das pessoas, dando um contributo efetivo para desenvolvimento económico e o bem-estar social do País.

Para o efeito, urge agregar a comunidade académica num projeto comum, superando a fusão formal de duas Universidades (Clássica e Técnica) ocorrida há perto de uma década, mas pouco vivenciada, lembrando que a Universidade emana das Faculdades e Centros de Investigação e não o contrário. Não esquecendo também que somos a Universidade de todas as Faculdades que a integram, dando-lhe diversidade e pluralismo. Uma Universidade onde cada um conta; e todos (professores, investigadores, estudantes e funcionários) constituem uma comunidade coesa e solidária, na multiplicidade dos saberes, na diferença dos interesses e no contraditório das ideias e projetos.

Por estas razões – e por muitas outras que aqui não cabem –,​ é hoje necessário uma participação efetiva de todos nós na vida da Universidade para construir o seu futuro. Importa agora reafirmar essa Universidade plena e una em Lisboa e para o Mundo. Para nós e para as gerações vindouras. Essa é a nossa responsabilidade. Esse é o nosso Futuro. 

O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico