Porto vai ter novo espaço de trabalho para as artes performativas

O Campus Paulo Cunha e Silva está a nascer na antiga Escola José Gomes Ferreira, perto do Marquês, e vai acolher residências artísticas, ensaios abertos, artist talks e actividades com a vizinhança. A inauguração está marcada para 9 de Junho.

Foto
O novo equipamento vai ocupar a antiga EB1 José Gomes Ferreira DR

A democratização do acesso à cultura e a diversificação da oferta cultural e artística têm sido preocupações centrais da governação de Rui Moreira, mas a necessidade de criar mais e melhores oportunidades e condições de trabalho para os artistas locais tem merecido igual atenção por parte do executivo municipal. É aqui que se insere o Campus Paulo Cunha e Silva, o novo centro de residências artísticas e espaço de trabalho do Porto para as artes performativas, designadamente o teatro, dança, formas animadas, circo contemporâneo e formatos híbridos que cruzem estas disciplinas. O espaço, que vai buscar o nome ao desaparecido vereador que teve um papel fulcral no renascimento cultural da cidade, foi apresentado por Tiago Guedes, director artístico do Teatro Municipal do Porto (TMP), na reunião camarária desta segunda-feira.

O projecto vai ganhar raízes no edifício da antiga Escola José Gomes Ferreira, situado na confluência entre as ruas de Faria Guimarães, Bonjardim, e as estações de metro de Faria Guimarães e Marquês, e vai permitir colmatar uma lacuna há muito assinalada por artistas e agentes culturais e já discutida no anterior mandato de Rui Moreira: a escassez de espaços de ensaios e residências artísticas no Porto. “[Faltava] um espaço condigno para todo o trabalho que é necessário para depois as obras serem apresentadas nos teatros municipais, na cidade e no país”, constatou o também director do departamento de artes performativas da Ágora – Cultura e Desporto, E.M.

O Campus vai permitir, assim, dar resposta aos inúmeros pedidos para ensaios e residências artísticas que chegam ao TMP, dos quais 90% são, segundo Tiago Guedes, recusados “por falta de espaço” para este efeito. O novo espaço vai ser ocupado por residências artísticas e técnicas que privilegiam candidaturas de artistas locais, projectos de investigação e criação reservados a artistas locais, ensaios abertos, aulas para profissionais, artist talks, momentos de partilha de processos de criação e actividades de mediação entre residentes e vizinhança. “Vai ser um epicentro na vida cultural daquele bairro”, descreveu Tiago Guedes.

Adicionalmente, os criadores vão poder reservar o espaço para ensaios, sem apoio financeiro ou técnico, e de forma gratuita, por períodos entre quatro e 240 horas. A reserva do espaço é feita online e é renovada após 30 dias, sendo que está aberta apenas a artistas locais. A ocupação do espaço por cedência gratuita constitui 50% da ocupação total dos espaços do edifício.

O equipamento está, actualmente, em fase de conclusão das obras de reabilitação e requalificação e dispõe de 900 m2 de área construída, dois pisos, jardim na frente do edifício e pátio de jogos nas traseiras, estruturas remanescentes da “clássica escola” que ali funcionou até 2013. Os artistas terão acesso a quatro estúdios, salas de reuniões, área comum com cozinha e sala de estar e dois quartos, para colaboradores que venham de fora da cidade, por forma a “ajudar a reduzir custos das companhias”. A abertura das várias valências está projectada para acontecer de forma faseada, mas a inauguração do espaço está marcada para 9 de Junho.