Superliga Europeia vai mesmo para a frente

Competição conta já com a presença confirmada de 12 dos principais clubes europeus, como o Real Madrid, o Liverpool ou a Juventus. Formato prevê 20 participantes: 15 clubes fundadores e cinco equipas que entram por qualificação com base nos resultados da época anterior.

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Real Madrid e Liverpool são dois dos clubes fundadores da Superliga Europeia apresentada neste domingo Reuters/DAVID KLEIN

Está criada a Superliga Europeia. A notícia foi comunicada neste domingo à noite pelos 12 clubes fundadores da prova, onde se encontra a maioria dos clubes mais ricos da Europa.

O lote de equipas fundadores conta com seis equipas britânicas, três espanholas e três italianas: AC Milan, Arsenal, Atlético de Madrid, Chelsea, Barcelona, Inter de Milão, Juventus, Liverpool, Manchester City, Manchester United, Real Madrid e Tottenham. Segundo a declaração conjunta, é esperado que mais três clubes se juntem a este lote de clubes fundadores ainda antes da época inaugural, que “deverá começar o mais cedo possível”. Assim que seja possível, está prevista a criação de uma liga feminina em moldes semelhantes para ajudar a “avançar e desenvolver o futebol feminino”.

As motivações para a criação da Superliga Europeia, que tem na liderança o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, ficam bem patentes no comunicado, em que os clubes referem que a competição vai “proporcionar um crescimento económico significativamente maior”.

“A pandemia mostrou ser necessária uma visão estratégica e uma abordagem comercial para aumentar o valor e o apoio em benefício da pirâmide do futebol”, referem os doze clubes, que entendem que os “actuais reguladores” não conseguem resolver “problemas fundamentais” como a necessidade de oferecer jogos de maior qualidade e obter “fontes financeiras adicionais” para o mundo do futebol.

Segundo a nota, vai existir um mecanismo de apoio ao futebol europeu através de um “compromisso a longo prazo de pagamentos de solidariedade” que crescerão “de acordo com as receitas” da prova.

“Estes pagamentos de solidariedade serão substancialmente mais elevados do que os gerados pela actual competição europeia, e espera-se que sejam superiores a dez mil milhões de euros durante o período inicial de compromisso”, pode ler-se no comunicado, em que também é referido que a Superliga será “construída numa base financeira sustentável”. 

Em troca pelo compromisso inicial, os clubes fundadores vão receber um montante de 3,5 mil milhões de euros para “apoiar planos de investimento em infra-estruturas e compensar o impacto da pandemia”. 

Os clubes manifestam o interesse em discutir com a UEFA e a FIFA “para trabalharem numa pareceria a fim de obterem os melhores resultados para a nova Liga e para o futebol como um todo”. Uma tarefa que não se adivinha fácil: depois das primeiras notícias sobre esta nova competição que concentra algumas das maiores potências do futebol europeu, a UEFA emitiu neste domingo um comunicado em que disse que considera usar “todas as medidas” ao seu “alcance, a todos os níveis, judiciais e desportivos, a fim de evitar” a criação da prova.

No mesmo comunicado, a UEFA sublinha que, “conforme anunciado anteriormente pela FIFA e pelas seis confederações”, os clubes que entrarem na Superliga “serão proibidos de jogar em qualquer outra competição a nível nacional, europeu ou mundial, e os seus jogadores podem ser proibidos de representar as suas selecções nacionais”.

Clubes fundadores fixos e cinco equipas por qualificação

O modelo apresentado neste domingo prevê a participação de 20 equipas: os 15 clubes fundadores (ainda só há 12) e um mecanismo de qualificação para mais cinco equipas se qualificarem anualmente com base nos resultados obtidos na época anterior”. As equipas serão divididas em dois grupos de dez, com jogos em casa e fora – 18 jogos nesta fase, que começará em Agosto.

Os jogos serão realizados a meio da semana, com todos os clubes envolvidos a continuarem nas respectivas ligas nacionais, preservando assim o “tradicional calendário doméstico que continua a ser o coração das competições de clubes”, segundo o comunicado.

Os três primeiros classificados garantem a qualificação directa para os quartos-de-final, com o quarto e quintos classificados de cada grupo a competirem num play-off a duas mãos pelas outras duas vagas na fase a eliminar. A partir daí, o formato será semelhante ao já existente na Liga dos Campeões: eliminatórias a duas mãos até uma final, a realizar-se no final de Maio em campo neutro.