Sabe como se chama a queijeira que faz o seu queijo Serra da Estrela preferido?

Pois, já imaginávamos a resposta. É por estas e por outras que nasce o projecto Queijeiras - para dignificar e reconhecer as mulheres que fazem o grande queijo português (sem ofensa ao pessoal de São Jorge).

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Judite Pinto (Estrela Artesanal), José Francisco Rolo (presidente da Rede das Aldeias de Montanha), Vera Moura (Queijaria dos Lobos), Rita Pelica (Onyou), Sónia Pinto (Estrela Artesanal), Célia Gonçalves (Rede das Aldeias de Montanha), Cecília Lelo (Sabores & Ambientes), Daniela Nunes (Queijaria dos Lobos), Jacinta Mendes (Quotidiano Acessível), Ana Rita Ramos (Have a Nice Day), Fernanda Freitas (Eixo Norte Sul), Sandra Pinho (Designer) e Paula Lameiras (Queijaria dos Lameiras) DR

Um consumidor esclarecido conhece os enólogos dos seus vinhos favoritos, vai a certos restaurantes porque aprecia o trabalho do cozinheiro e é capaz de fazer um desvio considerável para comprar pão de fermentação lenta de um qualquer padeiro que aparece na televisão. Já o “gastro-chato” é aquele picuinhas que decompõe um vinho ou um prato como o doutor Pedro Simas decompõe o Sars-CoV-2 (a nota de baunilha no vinho por causa das aduelas de carvalho de uma floresta eslovena, um citrino asiático aqui, um pickle polaco ali ou a folha de mostarda de uma produtora de uma agricultora biológica que só cultiva em terrenos de areia). Há gente para tudo. Mas se a uns e a outros perguntarmos pelo nome - um que seja - de uma queijeira da serra da Estrela, podemos ouvir uma resposta torta porque, como é evidente, isso não interessa nada. É uma queijeira, ponto. Que raio de pergunta! Os portugueses têm um justificado orgulho na sua gastronomia, mas, por vezes, acham que alguns produtos de excelência são como os polvos: nascem órfãos. (O polvo macho, quando fecunda a fêmea, morre pouco tempo depois. E a fêmea, quando os ovos eclodem, morre por esgotamento físico - é o que dá cuidar de 100 mil ou 500 mil ovos.)