Maputo confirma ataque de jihadistas junto a projectos de gás em Palma

Ataque deixou cortada a estrada da vila de Palma para Afungi, onde estão as instalações petrolíferas a funcionar em Cabo Delgado.

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A violência armada na província já fez 670 mil deslocados RICARDO FRANCO/Lusa

O Governo moçambicano confirmou esta quinta-feira o ataque da véspera na vila de Palma, a Norte da província de Cabo Delgado, que obrigou a população “a refugia-se na mata”, afirmando que as forças de segurança trabalham para “restabelecer a segurança e ordem”. A vila e o distrito da Palma “encontram-se com as comunicações por via móvel interrompidas”, acrescenta o comunicado do Ministério da Defesa de Maputo.

Um dos alvos do ataque dos insurrectos que desde 2017 espalham o terror em Cabo Delgado, coordenado entre vários grupos, foi o aeródromo, deixando cortada a estrada para Afungi, onde se situam as instalações das empresas que exploram o gás natural na bacia de Rovuma. Seguiu-se ao anúncio da petrolífera francesa Total de que se preparava para retomar os trabalhos suspensos por causa da violência. A empresa lidera ali o maior investimento privado do continente africano, com um valor estimado em 20 mil milhões de euros.

A vila de Palma fica a seis quilómetros do aeródromo que funciona como principal porta de entrada para Afungi. Segundo o Governo, o ataque visou várias estradas e cruzamentos, não se sabendo até ao momento se causou vítimas ou que danos terá provocado. Sem rede de telemóveis a funcionar desde as 16h30 de quarta-feira (14h30 em Portugal continental), as informações que chegam de Palma continuam a ser escassas.

A Total interrompera as actividades de construção do projecto em Afungi depois do ataque de Dezembro nas redondezas. Entretanto, anunciou na quarta-feira, estava pronta a “retomar progressivamente” os trabalhos, na sequência de novas medidas de segurança.

O Governo classificou uma área de 25 km de perímetro em redor de Afungi como “área de segurança especial”, onde se incluiu a vila de Palma. E em conjunto com o Executivo, a empresa disse ter definido e posto em prática “o reforço das infra-estruturas de segurança e das forças de segurança pública, permitindo uma remobilização gradual de mão-de-obra do projecto e a retoma das actividades de construção da fábrica de GNL”. Continua previsto que as exportações de gás natural liquefeito comecem em 2024.

A violência armada em Cabo Delgado, que dura há mais de três anos, já provocou mais de duas mil mortes e causou uma enorme crise humanitária, com 670 mil pessoas deslocadas a viverem em campos improvisados.

Em 2020, os jihadistas disseram ter jurado fidelidade ao Daesh, apesar de permanecerem algumas dúvidas sobre a origem dos ataques. Antes disso, algumas das incursões tinham já sido reivindicadas pelo grupo que a 5 de Junho de 2014 declarou um “califado” na Síria e no Iraque.

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