Procuradoria pede que o caso de Álvaro Uribe seja arquivado

Procurador colombiano não acredita que o ex-Presidente seja “autor” ou “participante” nos crimes de suborno e fraude de que era acusado. Decisão final está nas mãos de um juiz.

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Álvaro Uribe é acusado de subornar testemunhas e de fraude. LUISA GONZALEZ/Reuters

A Procuradoria Geral da Colômbia deu o caso do ex-Presidente Álvaro Uribe por terminado, desistindo de o levar a julgamento por considerar que não existem “características de um crime” nos actos de suborno e fraude de que era acusado.

As conclusões vão ser agora expostas “perante o juiz penal do circuito”, de acordo com o procurador responsável pelo caso, Gabriel Jaimes, citado pelo diário espanhol El País. Esta nova fase pode demorar ainda vários meses, sendo que só depois é que se ficará a conhecer o desfecho do caso do ex-Presidente colombiano.

O juiz tanto pode vir a aceitar como rejeitar arquivar o caso, pelo que a hipótese de Uribe ser ainda submetido a julgamento não está totalmente riscada.

No comunicado, Gabriel Jaimes afirmou que há “condutas às quais o antigo congressista estava legalmente ligado” que são crimes, mas concluiu que Uribe não tem nenhuma ligação às mesmas enquanto “autor” ou “participante”. Álvaro Uribe partilhou sem demora o seu alívio nas redes sociais, agradecendo “a Deus por este passo positivo” e “às pessoas por causa das suas orações e solidariedade”.

O ex-Presidente esteve em prisão domiciliária entre Agosto e Outubro do ano passado, tendo sido libertado quando o caso passou para as mãos da Procuradoria como consequência da sua resignação ao cargo de senador.

Até esse momento a investigação esteve a cargo do Supremo Tribunal colombiano, que ordenara em Agosto, pela primeira vez na história colombiana, a prisão domiciliária a um ex-Presidente. Uribe é acusado de fraude e suborno de testemunhas com o propósito de encobrir as ligações que alegadamente teve com grupos paramilitares de direita enquanto era Presidente.

A decisão actual da procuradoria confirma o que foi vaticinado pelo senador Iván Cépeda, uma das vítimas do caso que envolve Uribe, que referira que “as milhares de provas que estão no processo de 1.500 páginas” iriam ser menosprezadas, cita o jornal El País. “Ainda há um longo caminho aqui a percorrer.”