Lucros do Banco Santander em Portugal caíram 43,5%

Actividade em Portugal gerou um resultado líquido de 295,6 milhões de euros em 2020, mas contribuiu com 338 milhões de euros para o grupo espanhol Santander.

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Andreia Carvalho

O resultado líquido do Banco Santander Portugal ficou abaixo do contributo que deu para os resultados consolidados do grupo espanhol, a que pertence. Os resultados do banco nacional, divulgados esta sexta-feira, totalizam 295,6 milhões de euros em 2020, uma redução de 43,9% face ao exercício anterior (527,3 milhões de euros).

“O resultado inclui um encargo extraordinário, o valor de 46,2 milhões de euros (líquido de impostos), registado no quarto trimestre, pelo que o resultado líquido recorrente ascendeu a 341,8 milhões de euros (-35,2%)”, adianta a instituição em comunicado, sem explicar a que é devido o custo extraordinário.

Em resposta ao PÚBLICO, a instituição de crédito adiantou que o encargo extraordinário se ficou a dever à custos de transformação, que, na prática, se referem aos planos de redução de trabalhadores e encerramento de balcões.

Na apresentação de contas do grupo espanhol, foi avançada a informação de que a instituição em Portugal contribuiu em 2020 com um “benefício ordinário atribuído” de 338 milhões de euros, menos 36% do que em 2019, devido ao impacto da crise provocada pela pandemia nas receitas e provisões, o que foi apenas “parcialmente compensado” por custos mais baixos.

Os resultados relativos a Portugal mostram que o banco reforçou as imparidades líquidas de activos financeiros ao custo amortizado, que ascenderam a 187,6 milhões de euros, contra cerca de milhões de euros em 2019, “um reforço preventivo” face à conjuntura, adianta o banco.

O produto bancário atingiu 1.317,7 milhões de euros, um decréscimo homólogo de 4,3%, e os custos operacionais diminuíram, no mesmo período, 4,5%, totalizando 577,2 milhões de euros, o que levou a uma redução de 4,2% do resultado de exploração, e o rácio de eficiência estabilizou em 43,8%.

A margem financeira ascendeu a 786,6 milhões de euros, uma diminuição de 8,1% face ao período homólogo. O banco explica que “a evolução é fruto, essencialmente, da redução dos spreads do crédito, por contexto concorrencial ainda elevado, da descida das taxas de juro de curto prazo, da diminuição da procura de crédito por empresas fora do âmbito das linhas com garantia do Estado, e ainda da gestão da carteira de dívida pública”.

No final do Dezembro, as moratórias, legal e privada, abrangiam 87 mil clientes, no montante global de 8,6 mil milhões de euros de crédito (21% da carteira total).

Banco não distribuiu dividendos

A carteira de crédito aumentou 6,8%, para 42,7 mil milhões de euros. As linhas de crédito com garantia do Estado, destinadas a mitigar os efeitos da pandemia, ascenderam a cerca de 1,6 mil milhões de euros. 

Já os recursos de clientes subiram 1,9%, totalizaram 43,3 mil milhões de euros, com a componente dos depósitos a crescer 2,3%.

As comissões líquidas totalizam 373,2 milhões de euros, uma descida de 1,9% face a Dezembro de 2019, a reflectir “os efeitos da pandemia, ao nível das comissões de meios de pagamento, que foram mais pronunciadas no segundo trimestre do ano”.

Seguindo a recomendação do Banco Central Europeu, “o conselho de administração do Santander em Portugal decidiu não distribuir dividendos, em 2020”, pelo que o banco “mantém, assim, níveis de capitalização bastante elevados, o que representa uma folga muito confortável face aos requisitos mínimos exigidos pelo BCE ao abrigo do SREP (em 2020, CET1 de 8,3%, Tier 1 de 10,5% e Total de 12,5%, em full implementation).

O rácio de Non-Performing Exposure (NPE), ou crédito não produtivo ou de risco, calculado de acordo com o critério EBA, situou-se em 2,6% em Dezembro de 2020, uma redução de 0,6 pontos base face ao período homólogo, “sendo que a respectiva cobertura se fixou em 66,8%”, adianta a instituição.

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