Ex-presidente do Barcelona sai em liberdade condicional após comparecer em tribunal

Josep Maria Bartomeu optou por não prestar declarações.

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O ex-presidente do Barcelona está sob investigação LUSA/Quique Garcia

O ex-presidente do FC Barcelona Josep Maria Bartomeu saiu nesta terça-feira em “liberdade provisória”, após ter comparecido perante um juiz, no âmbito da investigação do processo “Barçagate”, uma alegada campanha difamatória promovida contra adversários da sua administração.

Bartomeu e Jaume Masferrer, ex-diretor da presidência do clube espanhol, foram colocados em liberdade, após terem passado a noite detidos, mas “permanece aberta a investigação” sobre crimes de corrupção e outros delitos criminais, informou o Tribunal Superior da Catalunha, em comunicado.

Os dois antigos dirigentes do Barcelona decidiram não prestar declarações em tribunal, tal como já tinha acontecido perante as autoridades policiais, à semelhança do que fizeram o director-geral do clube, Óscar Grau, e o director jurídico, Román Gómez Ponti, que saíram em liberdade na segunda-feira.

As autoridades regionais da Catalunha realizaram buscas em cinco locais, entre empresas e particulares, com o intuito de encontrar material útil para a investigação, confirmando que um dos locais alvo das buscas foram “departamentos específicos” em Camp Nou, estádio do Barcelona.

O clube reagiu ainda na segunda-feira, em comunicado, confirmando a existência de buscas, na sequência de mandados emitidos pelo 13.º Tribunal de Instrução de Barcelona, “encarregue do caso sobre o uso de serviços de monitorização de redes sociais”.

“O FC Barcelona ofereceu a colaboração plena com as autoridades judiciais e policiais, para ajudar a descobrir os factos pertinentes para a investigação. A informação e documentação requerida está relacionada apenas com este caso”, indicava a nota.

Além dos escritórios em Camp Nou, os “mossos d"esquadra” realizaram buscas também na sede da I3 Ventures e da Telampartner, duas empresas alegadamente contactadas para agir nas redes sociais contra adversários e atletas que se opunham à direcção de Bartomeu.

O “Barçagate” partiu de uma denúncia de um grupo de adeptos, cujo processo segue em segredo de justiça até 10 de Março, e, segundo a comunicação social espanhola, relaciona-se, entre outros, com uma campanha de difamação levada a cabo contra concorrentes da administração de Bartomeu.

O clube está a seis dias de eleger um novo presidente, no domingo, com três candidatos a concurso: Joan Laporta, antigo líder do emblema, entre 2003 e 2010, o empresário Victor Font e o antigo diretor Toni Freixa.

Bartomeu, de 58 anos, foi presidente do “Barça” entre 2014 e 2020, com Carles Tusquets a sucedê-lo, de forma interina, a partir de Outubro do ano passado, após muita pressão de adeptos e até de atletas, como o futebolista argentino Lionel Messi, que ameaçou sair no verão de 2020.