Autor de falso plano de desconfinamento nega ter querido enganar portugueses

Carlos Macedo e Cunha diz que estava a preparar, com outras pessoas, uma proposta de desconfinamento para entregar ao Governo. O documento estava a ser trabalhado em grupo privado de WhatsApp, de onde saiu, sendo partilhado em massa. “Não sei quem foi.”

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O caso levou o Governo a divulgar um desmentido e a apresentar uma queixa junto do Ministério Público Governo

O autor inicial do falso plano de desconfinamento que, esta quinta-feira, circulou pelas redes sociais e motivou uma queixa do Governo ao Ministério Público foi o consultor Carlos Macedo e Cunha.

Ao PÚBLICO, confirma que descarregou e trabalhou o documento no seio de um grupo de WhatsApp. Conta que o objectivo deste grupo seria fazer chegar às mais altas figuras de Estado uma proposta de desconfinamento. Contudo, afirma, esse documento sairia do grupo e espalhar-se-ia pelas redes sociais, com versões diferentes daquela que Macedo e Cunha fez. O consultor na área do enoturismo garante desconhecer como é que o documento se tornou público. “Não sei quem foi”, assegura.

Garante que, para preparar uma proposta de desconfinamento, descarregou um documento antigo do Governo para o editar de seguida.

“Fiz download desse documento [do Governo], alterei algumas coisas. No fundo, estávamos a trabalhar o documento. O nosso objectivo era enviar para o Governo, Presidente da República e grupos parlamentares uma proposta de desconfinamento. Alguém do grupo deverá ter passado o ficheiro cá para fora”, explica o consultor.

Carlos Macedo e Cunha tem escrito no Observador textos críticos da estratégia anticovid-19 do Governo. Em 2013 e 2014, assinou três textos no PÚBLICO na qualidade de militante do PSD e fundador do movimento Cidadãos aos partidos. Adere, vota e intervém dentro de um partido.

O consultor diz que o grupo onde nasceu o plano reúne especialistas das mais variadas áreas: o círculo “mais restrito” tem 15 pessoas, o mais alargado cerca de uma centena. A ligação deste documento a Macedo e Cunha foi detectada por utilizadores do Twitter logo na manhã desta quinta-feira: nas propriedades do ficheiro, o nome do consultor aparece como autor.

“Sim, descarreguei o ficheiro para o meu computador, por isso é que aparece o meu nome”, justifica, acrescentando que também fez download do mesmo tipo de ficheiros de outros países.

Uma das coisas que mais contribuíram para a confusão que se instalou nas redes sociais foi o facto de o documento falso ter mantido as características gráficas presentes nos documentos oficiais do Governo. Macedo e Cunha garante que o objectivo do grupo seria alterar essas componentes visuais assim que o conteúdo do documento estivesse fechado: “Enquanto não havia um template, fazia-se neste.” Alega, porém, que as versões do ficheiro publicadas nas redes sociais foram sofrendo, elas próprias, transformações no conteúdo. “Há coisas que foram alteradas do documento original que tinha. Já vai para aí na quinta versão”, reitera.

O caso levou o Governo a divulgar um desmentido e a apresentar uma queixa ao Ministério Público. O consultor diz ao PÚBLICO ainda não ter sido contactado pelas autoridades, mas que explicará esta partilha de informação involuntária às autoridades. Se for possível, diz até, concluirá a proposta de desconfinamento para entregar, como planeado.

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