Sem Neymar e Dí Maria, o PSG (ainda) terá Messi como inimigo

Dado como quase certo em Paris na próxima época, o argentino é o principal trunfo do Barcelona contra os franceses nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões.

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Lionel Messi EPA/ALEJANDRO GARCIA

A saída de Lionel Messi de Barcelona após mais de duas décadas de ligação aos “blaugrana” é quase uma inevitabilidade dentro de quatro meses e meio. O mal-estar entre argentino e catalães é público e, no final de Junho, quando acabar o seu contrato, Messi será livre de mudar-se para o clube que entender. Na pole position para contratar o Bola de Ouro de 2019 está o Paris Saint-Germain (PSG), mas os milhões investidos por Tamim bin Hamad Al Thani, emir do Qatar, não vão impedir que esta noite (20h00, Eleven Sports 1), para o PSG, Messi assuma mais uma vez o papel de inimigo e principal ameaça. No outro jogo da primeira mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões que se disputa hoje, a crise do Liverpool será colocada à prova em Leipzig.

Na última década, os mais de mil milhões de euros gastos em reforços pelo PSG não resultaram na concretização do principal objectivo dos seus investidores do Qatar, que ambicionam colocar o clube de Paris no topo do futebol europeu com a conquista da Liga dos Campeões. Uma boa quota-parte dos falhanços dos parisienses tem a marca do Barcelona. Por três vezes na última década (2012/13, 2014/15 e 2016/17), espanhóis e franceses defrontaram-se na fase a eliminar da Champions, sempre com o mesmo desfecho: apuramento “blaugrana”.

Em todos esses duelos, o “peso” de Messi na equipa catalã fez-se sentir no desequilibrar da balança em prejuízo dos franceses. Na antevisão da partida, Ronald Koeman não desvalorizou a importância do argentino – “É o melhor jogador do Mundo e precisamos dele na sua melhor forma” -, mas o duelo entre Barcelona e PSG, com Messi pelo meio, também se está a jogar fora de Camp Nou: Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG, deslocou-se ontem ao hotel onde está concentrada a equipa espanhola e foi insultado pelos adeptos barcelonistas.

Apesar da importância que Messi pode ter na decisão da eliminatória, a fase positiva do Barcelona no campeonato nas últimas semanas - 28 pontos conquistados nas últimas 10 jornadas -, deve-se, também, à subida de rendimento de jogadores como Francisco Trincão.

Aos poucos, o jovem internacional português começa a dissipar as dúvidas que podiam existir na Catalunha sobre o acerto da sua contratação. Há uma semana, em Sevilha, o extremo fez o golo que garantiu a vitória do Barcelona no terreno do Bétis (3-2) e, no passado fim-de-semana, não esbanjou a oportunidade dada por Koeman: no primeiro jogo a titular na liga espanhola, Trincão bisou na goleada contra o Alavés (5-1).

O bom momento do português pode resultar em nova titularidade do “17” dos catalães contra o PSG, ao lado de Messi e Griezmann, relegando Dembélé novamente para o banco, mas Koeman não revelou quais serão as suas opções. O holandês, disse apenas que Piqué pode recuperar para a partida: “Treinou com o grupo nos últimos cinco dias e temos confiança que esteja em condições de jogar.”

Embora Koeman tenha baixas confirmadas para o primeiro duelo com o PSG (Ronald Araújo, Sergi Roberto, Ansu Fati e Philippe Coutinho), do lado dos parisienses as ausências têm mais impacto. Há menos de um mês em Paris, Mauricio Pochettino teve que preparar o seu primeiro grande teste como treinador do PSG sem duas das principais figuras do ataque do campeão francês (Neymar e Dí Maria).

Com Icardi e Mbappé certos no “onze”, a dúvida para o técnico argentino parece ser entre Moise Kean ou Sarabia para completar o trio de ataque, sendo que o influente Verratti deve regressar à equipa após recuperar de lesão.

Mesmo sabendo que “jogadores importantes vão faltar”, Pochettino diz que a sua equipa “vai dar tudo para ganhar”. “A atmosfera é extraordinária e a equipa está unida. Estes jogadores querem construir algo para o clube e a sua história.”

À mesma hora (20h00, Eleven Sports 2), Jürgen Klopp terá no seu país um grande problema para resolver. Depois de sofrer no fim-de-semana a terceira derrota consecutiva na Premier League – apenas dois triunfos nas últimas dez jornadas -, o técnico alemão do Liverpool admitiu o “momento difícil” que atravessa – a mãe do treinador morreu recentemente.

“Quando venho para aqui [Liverpool], consigo desligar e dividir as coisas. Se é vida privada, é privado. Se for sobre futebol e trabalho, estou aqui. Não me deixo influenciar pelas coisas que estão a acontecer à minha volta e ninguém precisa de se preocupar comigo. Sim, não ando a dormir muito e os meus olhos são o espelho disso, mas está tudo bem”, confessou Klopp, que terá pela frente um motivado RB Leipzig – cinco vitórias nos últimos seis jogos e vice-liderança na Bundesliga, apenas atrás do “intocável” Bayern Munique.