Agricultores indianos não recuam nos protestos contra o Governo de Modi

Segurança à volta do Forte Vermelho foi reforçada depois dos confrontos entre manifestantes e a polícia, na terça-feira, que fizeram um morto e 80 feridos.

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Os agricultores acusam o Governo de beneficiar os grande compradores LUSA/DIVYAKANT SOLANKI

Centenas de polícias reforçaram a segurança do histórico Forte Vermelho de Nova Deli, esta quarta-feira, depois dos violentos confrontos de terça-feira entre agricultores e a polícia antimotim, que fizeram um morto e 80 feridos.

Dezenas de milhares de agricultores, em protesto contra as reformas para o sector agrícola – que dizem beneficiar os grandes compradores privados, em detrimento dos pequenos produtores , estão acampados nos arredores da cidade há dois meses.

Na terça-feira, uma marcha de protesto com tractores, que coincidiu com as comemorações do Dia da República, acabou de forma caótica quando alguns agricultores divergiram das rotas que estavam definidas e furaram as barreiras policiais.

Alguns agricultores, munidos com espadas cerimoniais, invadiram o Forte Vermelho, onde o primeiro-ministro, Narendra Modi, faz um discurso anual.

A polícia retirou os últimos manifestantes do complexo do forte na noite de terça-feira, e manteve uma forte presença no local esta quarta-feira.

A agricultura emprega cerca de metade da população indiana de 1,3 mil milhões de pessoas, e a agitação entre 150 milhões de agricultores proprietários de terras é um dos maiores testes que Modi enfrentou desde que assumiu o poder, em 2014.

Embora os protestos estejam a começar a minar o apoio a Modi nas zonas rurais, o chefe do Governo mantém uma sólida maioria no Parlamento e ainda não deu sinais de vir a aceitar as exigências dos agricultores. O Governo afirma que a reforma agrária abrirá novas oportunidades aos agricultores.

A polícia disse que deteve 22 manifestantes, acusados de "distúrbios, danos à propriedade pública e agressão a funcionários públicos com armas letais”.

O Governo bloqueou o acesso à Internet em algumas partes da capital, e as velocidades do acesso com smartphones foi reduzida de forma considerável.

A violência de terça-feira foi condenada por Samyukt Kisan Morcha, líder do grupo de sindicatos agrícolas que organiza os protestos. Os responsáveis vão reunir-se esta quarta-feira para decidir uma resposta à violência.

“Já deixámos claro que queremos que todos os três projectos de lei da agricultura sejam revogados”, disse Raman Randhawa, um líder agrícola do estado de Rajasthan. “Não vamos recuar antes que as leis sejam totalmente eliminadas pelo Governo”, prometeu.