Portugueses fizeram menos 2,3 milhões de viagens no terceiro trimestre

Viagens ao estrangeiro decresceram 84,8%. Peso do alojamento particular gratuito nas dormidas aumentou, diminuindo o dos hotéis.

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Em tempo de pandemia, portugueses viajaram mais em lazer e menos para visitar familiares e amigos rui gaudencio

No terceiro trimestre de 2020, os residentes em Portugal realizaram 6,4 milhões de viagens, o que representa uma queda de 26,7% (ou aproximadamente 2,3 milhões) face ao total de 8,7 milhões de viagens realizadas no mesmo período de 2019.

De acordo com os dados divulgados nesta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), “as viagens em território nacional concentraram 97,5% das deslocações (6,2 milhões), revelando um decréscimo de 18,5%” face ao período homólogo. Já o número de viagens com destino ao estrangeiro continuaram a cair a pique (menos 84,8%), totalizando 161,9 mil, o que correspondendo a 2,5% do total.

As principais motivações apontadas pelos residentes para viajar, para o estrangeiro ou pelo país, foram “lazer, recreio ou férias” (justificando 4,4 milhões de viagens, menos 22,5%), tendo a representatividade desta motivação aumentado para 70% do total, face a 66,2% no trimestre homólogo. A visita a familiares ou amigos “correspondeu a 1,6 milhões de viagens (24,4% do total, menos 2,2 pontos percentuais)”, verificando-se uma quebra de 32,6%.

Quanto ao alojamento, os “hotéis e similares” concentraram 25,0% das dormidas resultantes das viagens turísticas no terceiro trimestre de 2020, perdendo peso no total (menos 2,4 pontos). Já o “alojamento particular gratuito” manteve-se como a principal opção, concentrando 61% das dormidas e reforçando o seu peso em 4,4 pontos.

O número médio de noites por turista aumentos, registando-se uma média de 8,41 dormidas nas viagens de cada turista residente (um acréscimo de 7,8% face ao mesmo período do ano anterior, em que foram 7,80 noites). Contudo, “a proporção de turistas no conjunto da população diminuiu significativamente” no terceiro trimestre. Só perto de um terço da população residente (32,8%) “realizou pelo menos uma deslocação turística”, o que traduz uma quebra de 9,5 pontos percentuais.

“Neste trimestre, e similarmente ao ocorrido no 2.º trimestre de 2020, todos os meses registaram decréscimos homólogos em termos da percentagem de residentes que viajaram”, refere o INE.

O INE também assinala que houve um “ligeiro reforço de expressão na organização de viagens” pela Internet. Mais um terço das viagens (39%) “foram efectuadas recorrendo à marcação prévia de serviços”, uma proporção que atingiu 76,8%, no caso de deslocações com destino ao estrangeiro e que foi de 38,1% nas viagens realizadas em território nacional.