Privados recuam: aulas nos colégios param nas próximas duas semanas

Publicação de decreto do Governo e reunião com o ministro da Educação fazem associação das escolas privadas recuar na intenção de manter aulas à distância. “Discordamos, mas vamos cumprir”, afirmam.

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Daniel Rocha

Os colégios privados vão afinal suspender todas as aulas nas próximas duas semanas, à semelhança das escolas públicas. Depois de, na quinta-feira, ter anunciado a intenção de manter o ensino, em regime à distância, durante o encerramento dos estabelecimentos de ensino, a Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP) vem agora garantir que vai cumprir a ordem do Governo.

“Lendo o decreto, ficou mais claro”, justifica o director executivo da AEEP Rodrigo Queiroz e Melo. A AEEP diz “discordar” da lei – “a nossa opção teria sido outra” –, mas garante que vai cumpri-la: “Não nos passa pela cabeça a desobediência civil.”

O decreto do Governo, publicado esta sexta-feira, é claro: “Ficam suspensas as actividades educativas e lectivas dos estabelecimentos de ensino públicos, particulares e cooperativos e do sector social e solidário, de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário.” Ou seja, param mesmo todos os alunos, independentemente do nível de ensino ou da propriedade das escolas.

A direcção da AEEP manteve também uma conversa com o ministro da Educação nesta sexta-feira, que permitiu “perceber a intenção do Governo”. “A ideia é dar o maior número possível de dias de ensino presencial aos alunos”, diz Queiroz e Melo. Se avançassem com as aulas à distância, estes dias contariam como tempo efectivo de aulas para os colégios.

Na véspera, na sequência do anúncio do Governo, a AEEP defendeu que o seu estatuto de autonomia permitia aos colégios um modelo de funcionamento distinto, optando por continuar as actividades lectivas à distância. Esta sexta-feira houve vários colégios a funcionar.

A situação mais confusa aconteceu na St. Dominic's International School, em Cascais, onde os alunos do 10.º ano foram ao colégio fazer um “mock exam”, um teste semelhante aos exames nacionais que serve precisamente para preparar os alunos para as provas de final do ensino básico. A situação obrigou à intervenção da PSP.

A polícia recebeu “várias denúncias anónimas de que o colégio estaria a laborar”, contou à TSF o comissário da PSP Artur Serafim. Na escola estariam 20 alunos, sendo esperados mais 23 para realizar o exame. A directora do colégio foi notificada das regras em vigor e as famílias dos alunos informadas que deviam ir buscar à escola quem ali estivesse. O PÚBLICO tentou, sem sucesso, ao longo de todo o dia, falar com a direcção do StDominic's International School para obter uma explicação.