O interior de Portugal precisa de nós

Os jovens do interior do país, que são os mais prejudicados com o actual sistema, devem defender uma reforma eleitoral que proceda a um equilíbrio de forças.

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Joana Abreu/Unsplash

A minha geração vê-se hoje confrontada com desafios muito diferentes daqueles que se colocaram às gerações anteriores. Somos nós quem tem a obrigação de transformar Portugal, nunca esquecendo que a liberdade e a igualdade são duas faces da mesma moeda. Essa moeda que se chama desenvolvimento e prosperidade. Acredito que a geração mais bem preparada de sempre será capaz de cumprir esse desígnio.

Esta geração tem uma capacidade muito superior às anteriores de pensar “fora da caixa”, sem dogmas ou vícios, e não aceitamos superioridades morais, seja de quem for. Não temos nada que seja uma verdade absoluta que não possamos contestar ou sobre a qual não possamos reflectir.

Estamos, sim, ao contrário do que alguns dizem, muito interessados naquilo que é a causa pública e o bem comum, mas entendemos que estar na política não deve ser encarado como uma profissão. É sim uma função que exercemos na sociedade, muito nobre, é certo, mas durante tempo limitado.

Queremos sobretudo contribuir para a construção de uma sociedade livre, aberta ao mérito e ao trabalho, com uma economia concorrencial e competitiva, onde a mobilidade social é uma realidade e onde se multiplicam as oportunidades para todos.

Temos hoje a vontade e a preparação e é por isto que temos obrigação de ir a jogo.

Temos de ir a jogo no combate aos extremismos e radicalismos, tanto à esquerda como à direita. Se é verdade que a subida dos extremos políticos é muito perigosa para aquilo que são os regimes democráticos e os partidos ditos tradicionais, não é menos verdade que a sua subida se deve e muito a estes últimos. Se os extremos sobem é efectivamente porque os moderados não estão a dar respostas capazes de solucionar os problemas das pessoas. Precisamos, mais do que nunca, que os partidos tradicionais tenham posições firmes, moderadas e responsáveis.

Não podemos cair na tentação de olhar para o regime democrático em que vivemos e dá-lo como dado adquirido ou garantia. A democracia não foi uma conquista de Abril de 1974 e de Novembro de 1975, que possamos colocar numa segunda linha actualmente. Temos de lutar por ela diariamente e defendê-la em cada momento.

Temos de lutar afincadamente contra as assimetrias regionais e defender um país verdadeiramente coeso. Um país onde os jovens do interior, quando saem para estudar fora, saibam que podem regressar à sua terra. Esse Portugal ainda não é uma realidade. Hoje em dia, a esmagadora maioria dos jovens do interior não tem qualquer perspectiva de se conseguir fixar, trabalhar e constituir família na sua terra natal.

Mas para isto temos também de olhar para o nosso sistema eleitoral. Como podemos pugnar pela coesão territorial quando Beja, Bragança, Évora e Guarda elegem, cada uma, três deputados, Castelo Branco quatro e Portalegre dois? Um terço dos distritos do país tem menos de 8% dos deputados à Assembleia da República. Obviamente que distritos sem preponderância política têm muito mais dificuldade em fazer ouvir a sua voz.

Os jovens do interior do país, que são os mais prejudicados com o actual sistema, devem defender uma reforma eleitoral que proceda a um equilíbrio de forças. O nosso país precisa de um sistema que aumente o interesse do eleitorado, garanta a proporcionalidade da escolha dos eleitores, mas que sobretudo aumente a representatividade e a responsabilização dos eleitos. Considero que chegou a altura de olharmos de forma séria para a hipótese da criação de círculos uninominais complementados com um círculo de compensação nacional.

A descredibilização da política e dos políticos é hoje um facto indesmentível e a resposta a este grave problema que nos assola só pode ser esta: renovar a classe política e revolucionar o sistema.

Mais do que o futuro… os jovens têm de ser o presente. O nosso país precisa dos moderados e europeístas, defensores acérrimos da liberdade e da igualdade.