Sistema de conversão de energia vale 150 mil euros a cientista portuguesa

Este ano dois cientistas portugueses receberam uma bolsa para prova de conceito do Conselho Europeu de Investigação. Uma delas foi anunciada esta quinta-feira.

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Isabel Ferreira DR

A cientista Isabel Ferreira, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, recebeu uma bolsa para prova de conceito do Conselho Europeu de Investigação (ERC) no valor de 150 mil euros com um projecto na área da conversão de energia. A investigadora faz parte de um grupo de 55 cientistas na Europa que recebem uma agora uma destas bolsas do ERC para poderem explorar o potencial comercial ou social do seu trabalho ou levá-lo mais perto do mercado. Em Abril, João Mano, da Universidade de Aveiro, já tinha recebido uma destas bolsas.

“O projecto consiste em testar a conjugação de células fotovoltaicas e condensadores/baterias”, refere Isabel Ferreira ao PÚBLICO. Com esta bolsa, a cientista tentará pôr em prática um sistema de conversão de energia autónomo capaz de fornecer energia de dia e de noite, que será validado com diferentes tipos de células fotovoltaicas já existentes no mercado.

Esta bolsa permitirá à investigadora realizar uma prova de conceito com os resultados da investigação de uma bolsa de consolidação do ERC que recebeu em 2015 no valor de quase dois milhões de euros. “Neste caso, terei o apoio de uma empresa Italiana, a D1-Venture, na validação, pesquisa de mercado e contactos com parceiros industriais para o teste e certificação dos resultados”, conta a cientista.

Depois de o conceito ser demonstrado, o objectivo é que o sistema junte dois sistemas num só. Esses dois sistemas são os painéis fotovoltaicos e o armazenamento em baterias.

Esta foi a terceira ronda de entrega de bolsas para prova de conceito deste ano do Conselho Europeu de Investigação. Ao todo, atribuíram-se 8,25 milhões de euros pelos 55 cientistas. As bolsas podem ser usadas para explorar oportunidades de negócio, preparar pedidos de patentes ou verificar a viabilidade prática de conceitos científicos, exemplifica o ERC em comunicado.

Nas três rondas deste ano de bolsas para prova de conceito foram atribuídas 166 destas bolsas no valor de 25 milhões de euros (ao todo) a cientistas de 21 países da Europa. No topo da lista está o Reino Unido (30 bolsas), seguido da Alemanha (23), dos Países Baixos (17), França (15) e Espanha (12). Com 510 propostas, a taxa de sucesso foi cerca de 32%.

Na primeira ronda das bolsas, João Mano, da Universidade de Aveiro, também recebeu 150 mil euros para um projecto na área dos biomateriais. O seu projecto foca-se no desenvolvimento de novos biomateriais para a preparação de modelos de doenças, que poderão ser comercializados e usados como ferramentas para a descoberta de novos fármacos, em particular para o desenvolvimento de terapias personalizadas na área das doenças cancerosas do osso.

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João Mano DR

O cientista destaca ao PÚBLICO que o osteossarcoma é um tumor ósseo raro e devastador, que afecta sobretudo crianças, adolescentes e idosos. “Este tipo de tumor é muito resistente às terapias actuais, sendo assim urgente encontrar tratamentos mais eficazes”, indica. Como tal, refere que modelos tumorais tridimensionais in vitro podem reproduzir aspectos relevantes do ambiente natural do tumor e ser usados para melhor a previsão do desempenho de candidatos a fármacos anticancerígenos.

Portanto, quais os grandes objectivos? “Conseguir desenvolver uma plataforma comercializável baseada em hidrogéis de proteínas humanas que reproduzem tecidos tumorais personalizados em laboratório (em ambiente hospitalar, de investigação ou em empresas) para serem testados novas combinações de fármacos”, responde João Mano, que este ano também recebeu uma bolsa avançada do ERC de 2,5 milhões de euros.

Uma novidade será o uso de biomateriais obtidos a partir da membrana amniótica, que já mostraram conseguir criar um microambiente adequado para a manutenção da cultura de diferentes tipos de células previamente encapsuladas. Dentro desses tipos de células estão, por exemplo, células tumorais de um doente, que são retiradas de uma biopsia e encapsuladas no hidrogel. Como as células são do próprio doente, pode adaptar-se o tratamento ao testarem-se muitos fármacos e, no final, chegar a um medicamento adequado para esse paciente, esclarece o cientista.