Presidente do conselho de administração da TAP abdica de acréscimo salarial

Miguel Frasquilho foi aumentado ao substituir Humberto Pedrosa na presidência do conselho de administração da TAP SA, acumulando com a TAP SGPS. Agora, diz que abdica do valor por causa das “negociações que serão fundamentais para o futuro” da empresa, “sem qualquer mediatismo associado”.

Foto
Miguel Frasquilho assumiu posição que era de Humberto Pedrosa na TAP SA LUSA/TIAGO PETINGA

Desde o dia 28 de Outubro, o presidente do conselho de administração da TAP SGPS, Miguel Frasquilho, passou a ser também o presidente do conselho de administração da TAP SA, na sequência da saída do cargo de Humberto Pedrosa. Com isso, segundo noticiou o Eco esta segunda-feira, passou a ganhar mais 1500 euros por mês (no total de 13.500 euros brutos mensais).

De acordo com o Eco, as mudanças salariais envolveram também o novo presidente executivo (interino) da transportadora aérea, Ramiro Sequeira, que era até aqui responsável pela área de operações (chief operations officer, sem assento na administração), e Alexandra Reis, responsável pela área de compras (chief procurement officer) e que passou a ser administradora executiva. No primeiro caso, Ramiro Sequeira substituiu Antonoaldo Neves, passando a receber, segundo o Eco, 35 mil euros brutos por mês (face ao 17 mil que recebia até então), enquanto Alexandra Reis substituiu David Pedrosa, passando a auferir 25 mil euros (face aos 14 mil euros anteriores).

No caso de Antonoaldo Neves, o gestor ligado a David Neeleman ganhava, de acordo com o Eco, 45 mil euros brutos por mês, a que se somavam mais 14 mil para pagar a casa e a educação dos filhos (de origem brasileira, o antigo CEO da TAP só residiu em Portugal enquanto exerceu essas funções).

A notícia do Eco provocou várias reacções, dentro da TAP (que está ser alvo de um plano de reestruturação, com a saída de trabalhadores e perda de rendimentos dos colaboradores que ficarem na companhia) e em alguns partidos políticos, com o PSD e o Bloco a pedirem explicações ao Governo.

Ao início da tarde desta terça-feira, Miguel Frasquilho e o ministro das Infra-Estruturas reagiram através de comunicados autónomos. Por parte do presidente do conselho de administração da TAP, este anunciou que iria então abdicar do novo montante com efeitos retroactivos, não obstante “serem as mesmas condições remuneratórias” do seu antecessor – ou seja, diz, não houve “qualquer acréscimo de custos para a TAP”.

“Quero estar a participar nas conversações e negociações que serão fundamentais para o futuro da TAP de forma absolutamente tranquila e sem qualquer mediatismo associado que possa prejudicar a nossa companhia de bandeira”, afirmou o gestor no comunicado. Miguel Frasquilho destaca ainda que o conselho de administração tem tido “reduções salariais mais pronunciadas do que para os restantes trabalhadores” e que “assim continuará a ser” enquanto houver cortes.

Já o Governo sublinha que, contas feitas, as mudanças originaram, comparando Março com Dezembro, uma poupança de “33% em valores brutos”, e tem havido uma redução nos salários por efeitos do layoff. Neste momento, estes vencimentos estão com um corte de 5%, “quando a TAP já não está a aplicar cortes nos vencimentos dos trabalhadores”.

Depois, o ministério liderado por Pedro Nuno Santos realça que o corte proposto será superior na administração (30% contra os 25% a aplicar ao grupo, acima dos 900 euros). Quanto a Ramiro Sequeira e Alexandra Reis, os dois “estão a acumular as novas funções com as funções antigas” e “o aumento salarial que tem sido noticiado contabiliza as duas funções que, transitoriamente, ocupam em simultâneo”, tendo Ramiro Sequeira aceitado “um salário bastante inferior ao salário” auferido por Antonoaldo Neves, é defendido pelo ministério da tutela.