Adiado para Março, Festival de Berlim decorrerá em formato virtual e só mostrará filmes ao público em Junho

O novo modelo foi apresentado numa semana em que a Alemanha apresentou o nível mais elevado de novas infecções por covid-19 desde o início da pandemia.

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ALEXANDER BECHER/LUSA

A Berlinale de 2021 foi adiada de Fevereiro para Março, altura em que se lançará num novo formato virtual. Só três meses mais tarde, em Junho, o festival de cinema berlinense mostrará os filmes ao público, anunciou a organização da 71.ª edição.

O formato misto entre virtual e presencial do Festival de Berlim mostra como a pandemia tem obrigado as instituições culturais a verdadeiros quebra-cabeças para manter o mercado a funcionar, ao mesmo tempo que não esquece a vontade do público de ver cinema.

Na prática, como explica o comunicado de imprensa divulgado no site do festival, a 71.ª Berlinale terá um formato dividido por dois momentos, com a indústria a reunir-se em Março online, num festival aberto apenas a profissionais do sector, enquanto em Junho, promete a organização, o público poderá voltará às salas para ver os filmes escolhidos para a competição e sessões especiais.

O modelo foi apresentado depois de uma semana em que a incidência de covid-19 na Alemanha se fixou nas 189,6 novas infecções por 100 mil habitantes, o nível mais elevado desde o início da pandemia. Chegou a ser discutida a possibilidade de o festival ocorrer presencialmente em Abril, mas, segundo a Variety, o Governo alemão descartou a hipótese com receio de que a situação epidemiológica ainda não esteja controlada na Primavera. 

“Há um grande desejo de nos encontrarmos face-a-face. A situação actual não permite que ocorra um festival físico em Fevereiro, mas ao mesmo tempo é importante oferecer à indústria de cinema um mercado no primeiro quadrimestre do ano”, disse a directora-executiva do festival, Mariette Rissenbeek, citada pelo comunicado. “Com as mudanças no formato do festival em 2021, temos a oportunidade de proteger a saúde dos nossos convidados e de apoiar o ressurgimento da indústria de cinema. Com o evento de Verão, queremos celebrar um festival para o cinema e oferecer à audiência de Berlim a muito esperada experiência de cinema e cultura.”

O processo de selecção de filmes para a competição ao palmarés está a decorrer neste momento, bem como o das sessões especiais, devendo o programa ser divulgado em Fevereiro e apresentado aos profissionais do sector no European Film Market em Março. O mercado do cinema europeu, que geralmente recebe perto de 10 mil representantes da indústria vindos de mais de 100 países, vai realizar-se de 1 a 5 de Março. Nessas datas, também acontecerão virtualmente iniciativas como os Talentos da Berlinale ou a reunião do World Cinema Fund.

Segundo o mesmo comunicado, que promete mais detalhes nas próximas semanas, está previsto que o júri internacional veja os filmes presencialmente em Berlim e escolha os vencedores dos Ursos de Ouro e de Prata. A cerimónia de entrega dos prémios deverá acontecer apenas no Verão, altura em que o festival também terá a sua cerimónia de abertura, com os habituais momentos mais festivos na passadeira vermelha.

Na edição passada, que celebrou os 70 anos do festival, o filme de Catarina Vasconcelos, A Metamorfose dos Pássaros, recebeu no festival o prémio FIPRESCI, atribuído por um júri de críticos de cinema, naquela que foi a única presença de uma produção nacional nas secções competitivas.

A Berlinale, diz ainda o site oficial, está em conversações com o Ministério de Estado para a Cultura e Media (BKM) a propósito do orçamento do festival, que chegou aos 27,2 milhões de euros na última edição. “O BKM já confirmou um apoio extra para a Berlinale com fundos do seu programa especial para a cultura.”

O Festival de Berlim de 2020 foi o último grande festival de cinema do calendário europeu que decorreu normalmente. Depois de algum suspense, o Festival de Cannes acabou por não se realizar (tendo tido posteriormente, em Outubro, uma edição “especial” de apenas três dias); em Setembro, o Festival de Veneza conseguiu garantir uma edição presencial em moldes semelhantes aos habituais, mas sob fortes medidas restritivas e severas limitações de acesso.