Covid-19: comissão independente diz que Suécia falhou na protecção dos idosos

Primeira avaliação da comissão estabelecida para verificar a estratégia do país face à pandemia de covid-19 diz que os lares foram deixados sozinhos.

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Vacinação contra a gripe na Suécia neste Inverno Reuters

A Suécia falhou na sua estratégia de protecção dos idosos da pandemia de covid-19, segundo um relatório da comissão independente criada em Julho para avaliar as decisões do país.

Este foi o primeiro relatório da comissão e dedicou-se à situação dos lares, que era já vista como um ponto fraco da estratégia sueca. Apesar de uma das poucas restrições impostas no início da pandemia ser nas visitas aos lares (essa proibição foi entretanto levantada), houve transmissão do vírus que provoca a covid-19 e um número elevado de vítimas nos lares, como noutros países europeus. A ideia era “isolar” os lares, mas o nível mais alto de transmissão na comunidade fez com que o vírus acabasse por entrar de qualquer modo, mesmo sem visitas. 

“Estas falhas significaram que os lares de idosos estavam mal preparados e sem equipamento para lidar com a pandemia”, cita o jornal Dagens Nyheter. “As pessoas que trabalham em cuidados a idosos foram basicamente deixadas sozinhas a lidar com a situação de crise.”

O relatório nota ainda que os lares têm problemas estruturais antigos, que eram conhecidos deste governo e dos anteriores, mas que nunca os resolveram.

A comissão também diz que apesar de quase metade das mais de 7500 mortes de covid-19 na Suécia terem sido nos lares, menos de 6% dos doentes tiveram um exame feito por um médico no local.

A criação da comissão foi antecipada devido às críticas ao modo como a Suécia estava a gerir a pandemia. O primeiro-ministro, Stefan Löfven, tinha-a anunciado inicialmente para quando terminasse a crise de saúde.

A Suécia tem apostado no facto de muitas pessoas trabalharem já em casa e de haver muita flexibilidade para basear a sua estratégia em recomendações, com menos restrições. Mas está a anunciar cada vez mais restrições em face do aumento de casos na segunda vaga – que o epidemiologista-chefe, Anders Tegnell, tinha dito ser improvável por o país ter tido já mais casos durante a primeira vaga.

As conferências de imprensa têm vindo a ser dadas agora pelo primeiro-ministro, que nesta terça-feira declarou ainda que terá havido um erro de avaliação da pandemia por parte dos responsáveis da saúde. “Penso que a maioria das pessoas na profissão não viu uma onda à sua frente, falavam em surtos”, declarou ao jornal Aftenposten.

A agência de estatísticas da Suécia disse, na véspera, que Novembro tinha um total de 8088 mortes por todas as causas, o número mais alto desde o primeiro ano da gripe espanhola (1918).

As unidades de cuidados intensivos estão a ficar sem capacidade, e já foram alterados os critérios para que os doentes comecem a receber cuidados intensivos mais tarde.

A Suécia registou um total de 320.098 infecções e 7514 mortes devido à covid-19, muito mais do que os vizinhos nórdicos.