A LVMH propôs e a Tiffany acabou por ceder em baixar o preço da aquisição

LVMH poupa perto de 400 milhões na compra da joalheira norte-americana. A crise do coronavírus é uma das razões para a baixa de preço. O conglomerado francês quer investir em mais lojas e colecções.

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Reuters/Carlo Allegri

A francesa LVMH vai pagar um pouco menos para adquirir a joalheira americana Tiffany & Co depois de as duas empresas terem chegado a um acordo e salvar o maior negócio de todos os tempos do sector de luxo. O novo preço de aquisição foi fixado em 112,13 euros por acção, abaixo dos 115,12 euros do negócio original — cujas negociações começaram antes da pandemia.

Em comunicado, nesta quinta-feira, as duas empresas informam que o valor da fusão será de 13,7 mil milhões de euros, o que representa um “desconto” de 362,41 milhões de euros para a LVMH, liderada pelo empresário multimilionário Bernard Arnault, que acredita que o conglomerado francês de marcas de luxo pode restaurar o brilho da Tiffany, investindo em lojas e novas colecções. “Mais do que nunca estamos convencidos do formidável potencial da marca Tiffany e acreditamos que a LVMH é o lar certo para a Tiffany e os seus funcionários durante esta próxima etapa emocionante”, declara Arnault no comunicado.

Outros termos importantes do negócio, inicialmente firmado em Novembro passado, permanecem inalterados, acrescentam as empresas. A transacção deve ser concluída no início de 2021, sujeita à aprovação dos accionistas da Tiffany. 

O novo acordo põe fim a uma guerra de palavras, que foi tornada pública, entre os dois conhecidos grupos da indústria de luxo. O negócio inicial teve problemas no mês passado, quando o proprietário da Louis Vuitton, LVMH, disse que não poderia concluir a transacção até ao prazo final de 24 de Novembro, como estava previsto.

A LVMH tinha dois argumentos: por um lado, a ameaça norte-americana de novas tarifas sobre os produtos franceses; por outro lado, o mau desempenho da Tiffany durante a crise pandémica, que o conglomerado francês classificou de “sombrio”. A joalheira norte-americana respondeu com um processo no tribunal de Delaware, procurando que forçar a LVMH a honrar o acordo original. Este caso ficará agora encerrado.

Tom conciliatório

Fonte próxima do processo disse à Reuters que a Tiffany recentemente abordou a LVMH com um tom mais conciliador. O agravamento da pandemia na Europa e nos Estados Unidos também desempenhou um papel decisivo e levou os dois grupos a voltarem-se a sentar à mesa das negociações.

“Estamos muito satisfeitos por termos chegado a um acordo com a LVMH a um preço atractivo e agora podermos prosseguir com a fusão”, declarou Roger Farah, presidente da Tiffany. “O conselho concluiu que era do interesse das partes interessadas obter a certeza de fecho deste negócio”, acrescentou.

Esta fusão foi pensada para impulsionar uma área de negócio na LVMH que está menos desenvolvida, a da divisão de jóias e relógios cujas marcas que representa são a Bulgari e a Tag Heuer. Com a Tiffany no conglomerado vai ser possível expandir nesta área do segmento de luxo e, em simultâneo, fortalecer a presença do gigante francês nos Estados Unidos. 

A Tiffany, sediada em Nova Iorque e imortalizada no filme Breakfast at Tiffany's de 1961, protagonizado por Audrey Hepburn, é conhecida pelos seus estojos exclusivos em azul claro e continua a ser a joalharia mais escolhida para a compra de anéis de noivado.

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