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O silêncio da máquina de salvar vidas

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Há lugares de silêncio e de espera no Hospital de São João, no Porto, onde se concentram muitos dos contagiados pelo vírus que aniquilou hábitos, deslaçou abraços, escondeu sorrisos por detrás de máscaras, arrasou famílias e nos reduziu o espaço vital, na esperança, demasiadas vezes inglória, de travar a curva galopante dos contágios e das mortes.

Há lugares de silêncio e de recolha interior nos labirintos deste gigantesco hospital onde os relógios congelam nas esperas de quem já gastou as lágrimas e aposta tudo no jogo contra a implacabilidade da morte e da doença; lugares onde ecoam os apelos à misericórdia de um Deus feito máquina que liga os doentes à vida.

Ganha-se e perde-se todos os dias nestes lugares onde à noite a escuridão cai, adensando o frio dos vidros que separam e das portas que se fecham. É que o vírus, não se vendo, afasta os que se querem olhos nos olhos, os que anseiam pelo toque, pelo conforto de uma palavra que redima e dê esperança.

É o que fazem tantos milhares de profissionais, dos médicos e enfermeiros que dão a cara e o suor pelos doentes, aos que, sem direito a nome nos jornais, limpam os corredores como quem esconjura a doença, lavam roupa a 60ºgraus, fazem comida para que o corpo não desfaleça.

Sem eles, e sem estes lugares de espera e de silêncio onde tantos velam pelos que dormem, não é possível manter a funcionar esta máquina de salvar e perder vidas. Natália Faria

Veja também a reportagem no Hospital de São João: “Está a voltar tudo de novo, mais cedo do que esperávamos. E nós estamos também mais cansados”

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