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Paulo Pimenta
Reportagem

“Está a voltar tudo de novo, mais cedo do que esperávamos. E nós estamos também mais cansados”

No Hospital de São João, no Porto, o primeiro a accionar o nível 3 do plano de contingência, os doentes infectados ameaçam voltar a entupir os serviços. A abordagem terapêutica mudou e os médicos, que fazem um uso mais parcimonioso do ventilador, têm a expectativa de poder reduzir o tempo de internamento. Mas, avisam: “Não conseguimos meter dez pessoas num carro que só leva cinco.”

O ponteiro aproxima-se da meia-noite, a chuva cai miudinha e fez-se frio. Mas, enquanto o país dorme, a fila de suspeitos de terem contraído o novo coronavírus nas tendas amarelas montadas junto às urgências do Hospital de São João, no Porto, continua a crescer. “O que cansa mais é não vermos o fim disto”, desabafa a directora do Serviço de Urgências, Cristina Marujo, que, numa altura em que o país soma mais de três mil novos casos por dia, mostra-se muito preocupada com os meses de Inverno. “Na primeira vaga tivemos a nosso favor o confinamento, que foi como deitar água fria num incêndio. Agora, a infecção está solta na comunidade.”