Efanor subiu OPA sobre Sonae Capital mas já comprou acções a preço mais baixo

Valor da oferta subiu 10% para 77 cêntimos por cada acção. OPA da Sonae Indústria não sofreu alteração.

Paulo Azevedo, preside à Efanor e à Sonae SGPS
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Paulo Azevedo, preside à Efanor e à Sonae SGPS Nelson Garrido

A Efanor, holding da família Azevedo, aumentou em 10% o preço da oferta pública de aquisição (OPA) que lançou sobre a Sonae Capital. A contrapartida anunciada esta quarta-feira à noite passou a ser de 77 cêntimos por acção, mais sete euros que o valor inicial.

A oferta, que decorre até ao próximo dia 27 de Outubro, é geral e voluntária, e deixou de estar sujeita à condição do oferente atingir um mínimo de 90% dos direitos de voto, o que lhe permitiria a retirada de bolsa.

Esta quinta-feira, as acções da Sonae Capital, controlada maioritariamente pela Efanor (62,8% do capital, antes da oferta), ajustaram ao novo preço, os 77 cêntimos, e foram transaccionados mais de 5,7 milhões de títulos, um número muito acima do que é habitual.

Desde que lançou a oferta sobre a holding que gere os negócios de fitness, hotelaria, energia, imobiliário, engenharia industrial, entre outros, e até esta quarta-feira, a Efanor tem vindo a comprar acções, ao preço máximo 70 cêntimos, ou seja, abaixo do valor agora revisto.

Esta possibilidade de compra de títulos foi comunicada no anúncio preliminar e no prospecto da OPA, em bolsa ou fora de bolsa, “aos preços praticados na respectiva data e por uma contrapartida que não seja superior à contrapartida oferecida na oferta”. É ainda referido que após a data do anúncio preliminar do registo da oferta, a Efanor comprou 12,9 milhões de acções, cerca de 5% capital da sociedade visada.

Nas duas sessões de bolsa anteriores à revisão da contrapartida, a empresa presidida por Paulo Azevedo anunciou a compra de mais 1,1 milhões de acções, a 70 cêntimos, segundo um comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

De acordo com a adenda ao prospecto, a nova contrapartida incorpora um prémio de 42,4% em relação ao preço médio ponderado das acções da sociedade visada nos seis meses imediatamente anteriores à data de 31 de Julho de 2020, inclusive, e um prémio de cerca de 60,4% em relação ao preço de negociação das acções no dia 31 de Julho de 2020 (48 cêntimos por acção). O montante total da garantia/caução para a contrapartida sobe para cerca de 62,8 milhões de euros.

A oferta surge numa altura em que “a forte incerteza sobre os efeitos da actual crise sobre uma parte relevante do portefólio de negócios da sociedade visada [nomeadamente o de fitness e hotelaria] tornam vários dos métodos tradicionais de avaliação potencialmente menos relevantes e adequados para efeitos de análise da contrapartida (…)”.

A tentativa de retirar a Sonae Capital de bolsa pode facilitar a reestruturação de alguns negócios, numa altura que a situação do mercado de capitais não se apresenta como uma alternativa ao financiamento das empresas.

Paralelamente à OPA sobre a Sonae Capital, a Efanor também tem em curso uma operação idêntica sobre a Sonae Indústria.

No caso da Sonae Indústria, cuja contrapartida de 1,14 euros por acção não foi alterada, as justificações para a tentativa de retirada de bolsa também se prendem com necessidade de reestruturação, mas igualmente de financiamento, até agora praticamente assegurado pela Efanor. Antes da OPA, a holding da família Azevedo controlava 68,6% do seu capital social.

As duas operações estão a decorrer em simultâneo, mas em relação à Sonae Indústria mantém-se o preço inicialmente oferecido, que é de 1,14 euros por acção.

A Efanor é a accionista maioritária da Sonae SGPS (proprietária do PÚBLICO), e controlava, no momento do lançamento das operações, 68,608% do capital social e dos direitos de voto da Sonae Indústria e cerca de 62,8% do capital social e 63,7% dos direitos de voto da Sonae Capital.

Se os resultados das ofertas permitirem a saída de bolsa das duas empresas, apenas permanecerá cotada a Sonae SGPS.

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