Trump e Biden voltam a defrontar-se, desta vez pelas audiências

Os dois candidatos substituíram o debate cancelado por entrevistas à mesma hora em canais diferentes. Joe Biden vai responder às questões dos eleitores na ABC News, a partir de Filadélfia, enquanto Donald Trump vai estar nos estúdios da NBC em Miami.

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Donald Trump e Joe Biden no debate do dia 29 de Setembro Reuters/BRIAN SNYDER

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o seu adversário nas eleições presidenciais do próximo dia 3 de Novembro, Joe Biden, vão competir pelas audiências televisivas na noite desta quinta-feira (madrugada em Portugal continental), ao participarem em dois programas televisivos diferentes, em que vão responder directamente às perguntas da audiência.

Donald Trump vai responder às questões dos eleitores nos estúdios na NBC em Miami, na Florida, durante uma hora, num programa que também será transmitido pela MSNBC e pela CNBC, com moderação da apresentadora Savannah Guthrie. Por seu turno, Joe Biden vai estar cerca de 90 minutos na ABC News, em Filadélfia, na Pensilvânia, num programa moderado pelo pivô George Stephanopoulos.

Os dois programas town hall, como são chamados nos Estados Unidos, vão substituir o debate entre os dois candidatos presidenciais, inicialmente previsto para esta quinta-feira, cancelado depois de Trump ter recusado um debate virtual com Biden.

Na semana passada, perante a incerteza sobre a recuperação de Donald Trump, diagnosticado com covid-19 no dia 1 de Outubro, a Comissão de Debates Presidenciais sugeriu um debate não presencial para “garantir a saúde e segurança de todos os envolvidos”, uma hipótese rejeitada pelo Presidente norte-americano. Os dois candidatos têm um novo debate marcado para o próximo dia 22 de Outubro.

Polémica

Depois de ter estado três noites hospitalizado e de ter recebido o aval dos médicos para regressar à campanha, Trump decidiu marcar um programa semelhante ao anunciado por Joe Biden na semana passada, e a NBC, após receber garantias dos médicos da Casa Branca e também do imunologista Anthony Fauci de que Trump já não está contagioso, aceitou realizar o programa de perguntas e respostas com os eleitores.

Contudo, a polémica instalou-se, uma vez que as duas transmissões televisivas estão marcadas para a mesma hora (20h em Washington, 01h em Portugal continental), ou seja, a não ser que usem ecrãs em simultâneo, os telespectadores só poderão assistir a um dos programas em directo, o que vai aumentar a competição pelas audiências.

A NBC tem sido criticada por ter marcado a sua transmissão precisamente para a mesma hora da ABC News, que acordou o programa com Joe Biden há uma semana, quando Trump rejeitou o debate virtual.

A estação norte-americana, no entanto, foge às críticas e considera que aquele horário é o mais adequado, tendo em conta o cancelamento do debate. Quanto às medidas de segurança para evitar o contágio por SARS-CoV-2, a NBC garantiu que o programa vai decorrer no exterior e que todos os participantes terão de usar máscara, com Trump e a apresentadora Savannah Guthrie separados por quatro metros. A ABC News comprometeu-se em cumprir “todas a recomendações de saúde e segurança”.

Desafios para Trump...

A menos de três semanas das eleições, os dois programas da noite desta quinta-feira têm um peso diferente para os dois candidatos. Atrás de Joe Biden nas sondagens a nível nacional com uma diferença, em média, superior a dez pontos, Donald Trump precisa de dar gás à sua campanha, e é expectável que aumente os ataques contra o seu adversário democrata, provavelmente tentando explorar as ligações do filho, Hunter Biden, a alegados esquemas de corrupção na Ucrânia

A tentativa de colar Joe Biden à extrema-esquerda e ao socialismo, que Trump tem repetido frequentemente, não têm resultado, e é expectável que o Presidente norte-americano tente mudar uma pouco a estratégia. A insistência nas debilidades de Biden, devido à idade, também não têm sido bem-sucedida, e, pelo contrário, no primeiro debate só diminuiu a expectativa em relação ao democrata, o que o favoreceu.

Além disso, nota a CNN, esta vai ser a primeira vez que Donald Trump vai ser pressionado a responder directamente a questões sobre ter estado com covid-19, sem ser em entrevistas a órgãos de comunicação conservadores que tendencialmente lhe são favoráveis, como é o caso da Fox. A forma como Trump responder às questões sobre o coronavírus - um dos temas que mais preocupa os americanos e já causou mais de 216 mil mortes nos Estados Unidos -, será decisivo para o seu sucesso num programa deste formato.

... e para Biden

Joe Biden, por seu lado, escreve o The New York Times, tem como principal missão não cometer erros desnecessários durante o programa e esperar que o mesmo decorra de forma tranquila e que não altere a trajectória da campanha eleitoral.

O town hall, continua o mesmo jornal norte-americano, poderá dar uma oportunidade a Biden para se afirmar e agradar aos eleitores que não se revêem em Trump mas que também não nutrem particular simpatia pelo candidato democrata.

De realçar que o programa na ABC vai decorrer depois do fim da audição à juíza conservadora Amy Coney Barrett no Senado, e a estratégia do Partido Democrata tem sido a de colar a nomeação da juíza à destruição do Obamacare.

A confirmar-se a nomeação, o Supremo ficará com uma maioria de 6-3 para os juízes conservadores, o que pode pôr em causa o seguro de saúde universal da Administração Obama – que será analisado uma semana após as eleições –, assim com questões ligados ao aborto ou aos direitos da comunidade LGBTI.

No Partido Democrata, têm surgido vozes que admitem a possibilidade de expandir o número de lugares no Supremo, mas Joe Biden tem fugido à questão, apesar de, no Ohio, no início da semana, ter afirmado que “não é grande fã de encher o Tribunal”. No programa desta quinta-feira, poderá ser pressionado a desenvolver a sua posição sobre o assunto.