Mais de 100 mil mulheres do Norte sem rastreio ao cancro da mama

Presidente do Núcleo Regional do Norte da Liga Portuguesa Contra o Cancro alerta que ficaram por realizar “milhares de exames vitais” para detectar o cancro da mama numa população alvo de aproximadamente 630 mil mulheres.

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Mais de 100 mil mulheres do Norte não realizaram o rastreio ao cancro da mama Rui Gaudêncio

Mais de 100 mil mulheres do Norte não realizaram o rastreio ao cancro da mama, interrompido desde Março devido à pandemia de covid-19 e também devido a questões administrativas, disse esta quarta-feira o presidente da Liga Contra o Cancro/Norte.

Ao contrário das outras regiões do país, os rastreios ao cancro da mama no Norte ainda não recomeçaram devido ao atraso do acordo entre o Ministério da Saúde e o Núcleo Regional do Norte da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC).

“Felizmente, [o protocolo] já foi aprovado em Conselho de Ministros e já foi concedida a respectiva dotação orçamental, estamos agora à espera que seja publicado em Diário da República. Estamos preparados para recomeçar amanhã, se for preciso”, afirmou, em declarações à Lusa, acrescentando que “há quase um mês” que esperam a publicação do protocolo em Diário da República.

Esta situação de paragem da estrutura, com 70 funcionários e 22 unidades móveis e fixas, “correspondeu a um grande prejuízo do ponto de vista económico, mas sobretudo para a população”, considerou Vítor Veloso.

“Vamos ter nos próximos anos um aumento de mortalidade e, sobretudo, vamos perder o que tínhamos conquistado, que era diminuição da mortalidade do cancro da mama no Norte de 20 a 25%. Sem dúvida, vai ser difícil de o conseguirmos”, frisou.

Vítor Veloso lembrou que “ainda vamos ter de conviver com o vírus durante muitos meses, o que acarretará consequências graves para as outras doenças, nomeadamente no cancro”. “O Estado deve tomar em consideração essas situações”, defendeu.

No caso do rastreio do cancro da mama, Vítor Veloso explicou que cada núcleo regional tem o seu protocolo que se vai renovando anualmente. “O nosso perdeu a continuidade ao fim de 20 anos e, como sabemos, na administração pública estes processos são dramáticos, porque demoram meses e meses a serem concluídos”, lamentou.

Ficaram por realizar “milhares de exames vitais” para detectar este cancro numa população alvo de aproximadamente 630 mil mulheres, acrescentou.

Na altura da suspensão do rastreio, em Março, o núcleo regional do Norte da LPCC rastreava os concelhos de Braga, Felgueiras, Guimarães, Marco de Canaveses, Matosinhos, Paredes, Peso da Régua, Póvoa de Varzim, Santa Maria da Feira, São João da Madeira, Valença, Valongo, Viana do Castelo, Vila do Conde, Vila Nova de Famalicão, Vila Nova de Gaia, Vila Real e Vinhais.

Vítor Veloso falava à Lusa no âmbito do Dia Mundial da Investigação em Cancro 2º Encontro Nacional de Jovens Investigadores em Oncologia, que se realiza na quinta-feira, no Porto, com a participação de 100 investigadores, presenciais e por videoconferência e mais 20 convidados.

“Vai ser um dia de celebração da investigação direccionada para os jovens”, disse Vítor Veloso, salientando que, em 2020, o Núcleo Norte da LPCC atribuiu 15 bolsas de investigação, representando um investimento de 180 mil euros.

Este apoio, segundo o responsável, tem o objectivo de “incentivar e estimular os jovens investigadores, que têm uma apetência extraordinária para a investigação e que, muitas vezes, vão para outro tipo de trabalho". "Visa também evitar que fujam para o estrangeiro e, deste modo, apoiar estas mentes brilhantes que têm contribuído de modo extraordinário para os avanços na investigação”, afirma.

“A investigação é tão importante que, neste momento, em que estamos perante uma situação dramática mundial, todos os países lançam mãos dos seus investigadores, no sentido de descobrirem um medicamento capaz de resolver e de combater o vírus ou uma vacina, que ainda está bastante longe de ser conseguida”, sustentou.

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