Morreu o escritor e jornalista Winston Groom, autor de Forrest Gump

Foi militar, viu o Vietname em primeira mão e passou-o para o papel, tanto em registos de ficção como em livros atentos ao historial de guerras e ocupações dos Estados Unidos. O romance Forrest Gump, cuja adaptação para o grande ecrã é um dos filmes mais celebrados do cinema norte-americano, continua a ser o documento incontornável do autor que nasceu em Washington e que firmou raízes no Alabama. Morreu esta quarta-feira, aos 77 anos.

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Forrest Gump venceu seis Óscares na cerimónia de 1995, incluindo o de Melhor Filme e o de Melhor Actor Principal, para Tom Hanks DR
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Escreveu em 1986 o livro que oito anos mais tarde Robert Zemeckis transformaria num dos maiores blockbusters de 1994, devorando seis Óscares e rendendo na bilheteira quase tanto dinheiro como O Rei Leão. Winston Groom, antigo jornalista e autor do romance Forrest Gump, morreu esta quarta-feira, aos 77 anos.

Nascido em Washington, o romancista passaria grande parte da adolescência no estado do Alabama, onde estudou. Depois de uma breve passagem pelo exército norte-americano, entre 1965 e 1967 – passagem que incluiria uma estadia no Vietname, entre 1966 e 1967 –, Groom trabalhou como repórter para o jornal Washington Star.

O autor abandonaria o jornalismo para perseguir uma carreira literária, assinando em 1978 Better Times Than These, o seu primeiro romance. Um livro sobre fabricantes de espingardas cujas vidas – e cujo patriotismo – sofrem várias reviravoltas durante a Guerra do Vietname, Better Times Than These acabaria por funcionar como uma espécie de prelúdio da obra Conversations with the Enemy (1982), que acompanha a história de um soldado americano que foge do Vietname e de um campo de prisioneiros de guerra, apenas para regressar a casa e ser preso por deserção 14 anos mais tarde.

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Forrest Gump é até hoje considerado um dos grandes clássicos do cinema norte-americano DR

Não muito tempo depois, Groom regressou ao Alabama e começou a escrever Forrest Gump, que de resto não foi um sucesso imediato para o autor. Foi com a adaptação de Robert Zemeckis, que deu a Tom Hanks um Óscar por Melhor Actor Principal e um dos seus mais reconhecidos personagens, que o livro se tornou um best-seller, vendendo 1,7 milhões de cópias em todo o mundo. O renovado interesse no corpo literário de Groom – que já tinha no currículo uma nomeação ao Prémio Pulitzer de Não-Ficção, em 1984, por Conversations with the Enemy – levaria o romancista a escrever Gump and Co., sequela de 1995 que dá conta da vida de Forrest nos anos 80. “Don’t never let nobody make a movie of your life’s story. Whether they get it right or wrong, it don’t matter”, lê-se na primeira página do livro.

A obra contém muitos erros gramaticais propositados que ilustram as dificuldades cognitivas do “warmhearted dope” eternizado por Hanks no grande ecrã. A possibilidade de uma adaptação para cinema de Gump and Co. também foi posta em cima da mesa, mas os planos acabariam por ser adiados indefinidamente devido ao 11 de Setembro – o guião para a sequela foi submetido a 10 de Setembro de 2001, um dia antes do ataque às Torres Gémeas.

Para além do seu trabalho no campo da ficção, Groom também escreveria sobre a história política (e o historial de conflitos armados) dos Estados Unidos. The Allies: Roosevelt, Churchill, Stalin and the Unlikely Alliance That Won World War II, editado em 2018, foi o seu último livro.

“Fico muito triste por saber que o Alabama perdeu um dos seus escritores mais dotados”, escreveu ontem nas redes sociais Kay Ivey, governadora do Alabama. “Embora até hoje seja sobretudo lembrado pela criação de Forrest Gump, Winston Groom era um jornalista talentoso e um autor notável da história americana.” A causa de morte ainda não foi revelada.

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