Inglaterra remove Portugal da lista de corredores aéreos seguros. Madeira e Açores são excepção

Quem chegar pelo ar a território britânico proveniente de Portugal volta a ter de cumprir isolamento de 14 dias. Medida volta a entrar em vigor às 4h de sábado, três semanas depois de ter sido tomada a decisão inversa.

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Quarteira, Algarve Rui Gaudencio
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Rui Gaudencio

Três semanas depois de incluir Portugal na lista de corredores aéreos considerados seguros, o Governo britânico reverteu a decisão e voltou a colocar o país na “lista negra” de destinos de Inglaterra, anunciou esta quinta-feira o ministro dos Transportes britânico, Grant Shapps.

“Os dados mostram que precisamos de retirar Portugal (menos os Açores e a Madeira), Hungria, Polinésia Francesa e Reunião da lista de corredores de viagens, para mantermos toda a gente segura”, escreveu o ministro numa publicação na rede social Twitter.

A medida entra em vigor às 4h de sábado: quem chegar depois dessa hora a Inglaterra vindo destes destinos terá de cumprir 14 dias de isolamento. Tal como acontecia quando as restrições de viagem foram inicialmente impostas, quem regressar a solo inglês vindo da Madeira e dos Açores está isento destas medidas.

A possibilidade de o Governo britânico remover Portugal da lista de destinos seguros já pairava no ar desde semana passada, quando a imprensa britânica avançou que a hipótese estava em cima da mesa. O próprio ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, admitiu também que quem regressasse de Portugal podia voltar a ser sujeito à quarentena obrigatória, mas a contingência foi afastada pouco depois, quando Grant Shapps anunciou que nenhum país tinha então sido retirado nem acrescentado à lista, ao contrário do que se verificou desta vez.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português já reagiu à decisão britânica, lamentando a reposição da quarentena obrigatória no continente, apesar da manutenção dos Açores e da Madeira.

“As nossas regras sanitárias e a eficácia do nosso SNS têm reconhecidamente permitido controlar os efeitos da pandemia”, justifica o MNE numa publicação no Twitter.

A decisão do Governo britânico vai ao encontro do que já havia sido feito pelo País de Gales e pela Escócia, que retiraram na semana passada Portugal da lista de países isentos de quarentena, sendo a primeira vez que os dois países aplicaram regras diferentes do Governo britânico.

Com os 585 novos casos confirmados esta quinta-feira em Portugal, a taxa de incidência dos últimos 14 dias subiu para 53,1 casos por cada cem mil habitantes, um valor bem superior tecto de 20 novos casos por cem mil habitantes que o Reino Unido definiu como aceitável para permitir a circulação de turistas sem necessidade de quarentena no regresso.

As autoridades britânicas têm em conta outros dados relativos à situação epidemiológica, como a tendência da taxa de incidência, a taxa de mortalidade e uma avaliação de confiança aos dados de testagem e do fornecimento de informação.

A lista de corredores aéreos britânicos vai passar a integrar a Suécia, que até agora ainda não tinha sido incluída no lote de países seguros. Segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), o país escandinavo apresenta esta quinta-feira uma taxa de infecção de 24,0 casos por cada cem mil habitantes (dados dos últimos 14 dias).

Decisão “já era esperada” pelo Turismo do Algarve. Hotelaria considera-a “lamentável"

O presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA) afirmou ao PÚBLICO que a decisão “já era esperada”, tendo em conta a evolução do número de novos casos em Portugal, e que “vai ter impacto na região”.

“O mercado britânico é o nosso principal mercado e Setembro é o mês em que temos mais dormidas em hotelaria classificada de britânicos no Algarve. É também o mês que dita o início da época alta do golfe, e por esse efeito também é impactante”, explicou João Fernandes.

O presidente da RTA manifestou a “expectativa” de que a decisão do Governo britânico reverta a decisão caso decida alterar o sistema de avaliação dos destinos, “dando maior peso relativo ao número de testes que cada país efectua — e Portugal, em comparação com outros destinos concorrentes, é dos que mais testa”.

João Fernandes espera também que seja possível avançar com a introdução, “já em Outubro, de um sistema de duplo teste”. “O viajante é testado à partida e no regresso, libertando este constrangimento de fronteiras. É uma realidade que é possível equacionar num momento em que já há testes mais baratos rápidos, mais eficazes e mais baratos”.

O presidente da AHETA — Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, Elidérico Viegas manifestou “profunda desilusão” face à decisão do Reino Unido, considerando-a “lamentável”.

“Alguém não está a fazer bem o trabalho que lhe compete. O Algarve não pode continuar a ser penalizado por uma situação que se passa no resto do país, designadamente em Lisboa e no Porto, quando ficou fora da pandemia desde Março. Tivemos o corredor aéreo aberto três semanas”, criticou.

O encerramento da via aérea sem restrições põe em causa meses que iriam servir para “esbater os elevados prejuízos acumulados” durante a fase mais aguda da pandemia.

“Isto coloca em causa os últimos dois meses da época turística, Setembro e Outubro, e a retoma do golfe turístico, que no Algarve tem um peso muito importante e teria início no final deste mês. Vai resultar em cancelamentos, à semelhança do que já se verificou anteriormente”, lamentou Elidérico Viegas.

Exclusão é “péssima notícia” para turismo do Norte 

O presidente do Turismo do Porto e Norte, Luís Pedro Martins, afirmou hoje que a saída de Portugal continental da lista de países seguros do Reino Unido ainda que “expectável”, é uma “péssima notícia” para o turismo português.

“Era uma saída já expectável tendo em conta o agravamento da situação em Portugal e o aumento de número de casos. De qualquer forma, é uma péssima notícia, mais uma para o turismo português, muito em particular para o Algarve, o primeiro destino escolhido pelo mercado britânico, mas também para o Porto e Norte”, afirmou Luís Pedro Martins.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP) disse ainda que, apesar do mercado britânico não ser um dos “principais mercados” da região, estava a crescer, tendo aumentado 11% de 2018 para 2019.

“Não tivemos a sorte de beneficiar dos britânicos naquele que é o mês que habitualmente preferem para visitar o Porto e o Norte”, salientou Luís Pedro Martins, referindo-se ao mês de Setembro.

O presidente do Turismo Porto e Norte considerou ainda que a entrada de Portugal continental na lista de países obrigados a quarentena no Reino Unido, é “mais uma dificuldade” num ano “trágico” para o sector do turismo. com Lusa

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