Estados Unidos vão retirar 2200 soldados do Iraque, quase metade das suas tropas no país

Decisão surge a menos de dois meses das eleições presidenciais. Estados Unidos querem manter presença no país para evitar ressurgimento do Daesh.

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Fuzileiro americano junto à embaixada norte-americana em Bagdad US MARINES

Os Estados Unidos vão retirar perto de metade das suas tropas do Iraque, anunciou nesta quarta-feira o tenente-general Kenneth McKenzie. Actualmente, Washington tem 5200 soldados naquele país do Médio Oriente. Com a redução anunciada, prevista até final deste mês de Setembro, ficará com 3000.

“Esta redução permite que continuemos a aconselhar e a auxiliar os nossos parceiros iraquianos na erradicação dos remanescentes finais do Daesh no Iraque, garantindo a sua derrota”, afirmou McKenzie, justificando a decisão norte-americana com base “na confiança na capacidade de as forças de segurança iraquianas operarem de forma independente”.

A decisão surge a oito semanas das eleições presidenciais nos Estados Unidos, marcadas para 3 de Novembro, e, escreve o The New York Times, permite a Donald Trump dizer aos seus eleitores que está a cumprir a sua promessa de acabar com as “guerras sem fim” no Médio Oriente e de trazer os soldados norte-americanos de volta a casa, depois de já ter retirado parte dos seus militares de países como o Afeganistão ou a Síria.

Em Agosto, o Presidente americano reuniu-se em Washington com o primeiro-ministro do Iraque, Mustafa al-Kadhimi, e os dois discutiram os detalhes finais da retirada das tropas americanas, que já estava a ser programa há vários meses.

Apesar de ter acordado a retirada dos soldados americanos, al-Kadhimi avisou que Bagdad continua a necessitar do apoio de Washington para combater as “células adormecidas do Daesh que continuam a operar no Iraque”, reforçando que “a ameaça ainda existe”.

Após a invasão do Iraque em 2003, os Estados Unidos chegaram a ter mais de 150 mil soldados no país. Durante a Administração de Barack Obama, grande parte do contingente militar regressou a casa, mas, em 2014, quando os jihadistas do Daesh assumiram controlo de grande parte do território iraquiano, as forças americanas regressaram a pedido de Bagdad.

Em 2017, o Governo do Iraque declarou vitória sobre os jihadistas, mas perto de 5000 soldados americanos continuaram no país, como prevenção contra uma ressurgência do Daesh. A sua presença em solo iraquiano, contudo, nunca foi consensual, não só em Bagdad como também no vizinho Irão.

Depois da morte do general iraniano Qasem Soleimani, assassinado num ataque aéreo norte-americano junto ao aeroporto de Bagdad, o Parlamento iraquiano aprovou a expulsão dos militares norte-americanos, apesar da resistência de Washington.