Dia 99: Sogras

Lembra-se daqueles testes nas revistas de adolescentes, que nos prometiam dizer-nos que género de amigas éramos? Todas as sogras deviam fazer um sobre si próprias.

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Mãe,

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Depois de analisar várias das conversas que tive com as minhas amigas, mais as que acontecem nas redes sociais, sinto-me já suficientemente habilitada para caracterizar os diferentes tipos de sogra que habitam o planeta Terra. Sei bem em que categoria a minha se encaixa, mas fiquei a pensar se a mãe tem consciência de que tipo de sogra é?

Lembra-se daqueles testes nas revistas de adolescentes, que nos prometiam dizer-nos que género de amigas éramos? Todas as sogras deviam fazer um sobre si próprias. Mas como me ensinou que não devemos exigir dos outros aquilo que não somos capazes de pedir a nós próprios, esta é a sua grande oportunidade de fazer um exame de consciência. Não se esqueça de que tenho acesso às testemunhas relevantes, por isso não vale a pena mentir!

#1 Sogra “Conselhos e sugestões”: Sabe SEMPRE qual a melhor forma de educar os netos. Aliás sabe sempre a melhor forma de fazer TUDO. As frases costumam começar com “Sim, não está mal, mas sabes que eu...”. Odeia as regras new-age sobre o glúten, o desprezo pelo açúcar e as novas receitas da nora. As frases acabam sempre com um “Olha foi assim que criei o meu filho, e não lhe fez mal nenhum!”

#2 Sogra “Mãezilla”: Nunca na vida a nora vai ser suficiente para o seu querido e adorado filho. O casamento do filho foi o luto do próprio filho e não um acrescentar de uma pessoa nova à família. A nora bem se pode esforçar, que será difícil, para não dizer impossível, vir a conquistar a sogra.

Atenção: Ainda antes de se conhecer a futura sogra, não é difícil identificar um filho seu. Por isso se ele disser qualquer coisa como “Este arroz está bom, mas não se compara com o da minha mãe”, fujam enquanto é tempo.

#3 Sogra Carente: Precisa que lhe liguem todos os dias e que repitam várias vezes por dia o quanto gostam dela e o quanto os netos sentem a sua falta. Quer fotografias, vídeos, chamadas e declarações de amor constantes.

#4 Sogra bisbilhoteira: Quer saber tudo! Quem paga as contas, como e porquê. A que horas o filho dela chegou a casa ontem à noite e porque é que a nora ainda não engravidou.

#5 Sogra “mais”: Teve mais filhos, amamentou até mais tarde, trabalhou mais, os seus filhos começaram a ler mais cedo, obviamente não precisou de epidural e teve o trabalho de parto mais comprido. Deixa cair estes pedacinhos de informação a todo o minuto.

#6 Sogra perfeccionista: Está sempre tudo impecável em casa desta sogra, as roupas penduradas no armário em dégradé de cores, nada fora do sítio, a começar pela própria, sempre perfeita da cabeça aos pés, quase como se fosse de propósito para nos confrontar com a nossa confusão mental e física. Atenção às visitas-surpresa a nossa casa!

#7 Sogra Unicórnio: Adopta-nos como filhos, está envolvida, mas respeita o nosso espaço, tem uma vida própria, mas adora estar com os netos, e admira a nossa forma de educar os nossos filhos.

Obviamente, eu só tenho unicórnios na minha vida! :) 

Beijinhos!


Querida Ana,

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Como é que adivinhaste? Por acaso, só por acaso, estive mesmo tentada a rotular-me como sogra unicórnio, mas como me pediste total sinceridade esbarrei com vários “detalhes”.

Primeiro, acredito pouco nessas adopções de genros e noras, até lhes podemos dar razão em muita coisa, lamentar-lhes a sorte de terem de aturar os nossos filhos e filhas dia sim, dia sim, mas quando chega a hora da verdade, lamento, mas não me parece que genuinamente nenhuma mãe alinhe por eles. Felizmente nunca me testaram ao limite.

Depois, também não assinava de cruz essa premissa de que admiramos a vossa forma de educar os vossos filhos — tem dias! Às vezes espantam-me, noutros reconheço que sou mais sogra #1, a dos conselhos e sugestões, e pensando bem também era um desperdício de sabedoria se não contribuísse com o meu know-how para o melhoramento da espécie.

Além disso, posso ter uma vida própria, mas isso não me livra de me sentir um bocadinho sogra #3, porque preciso de declarações de amor frequentes, e decididamente de muitos vídeos e fotografias.

E agora tenho de acabar esta carta, para começar já a escrever uma sobre Noras e Genros. Inspiraste-me!


No Birras de Mãe, uma avó/ mãe (e também sogra) e uma mãe/filha, logo de quatro filhos, separadas pela quarentena, vão diariamente escrever-se, para falar dos medos, irritações, perplexidade, raivas, mal-entendidos, mas também da sensação de perfeita comunhão que — ocasionalmente! — as invade. Na esperança de que quem as leia, mãe ou avó, sinta que é de si que falam. Facebook e Instagram