Chineses pagam 220 milhões e acompanham aumento de capital da EDP

A empresa estatal chinesa China Three Gorges é a maior accionista da EDP. A eléctrica está a realizar um aumento de capital de mil milhões de euros para financiar a compra da empresa espanhola Viesgo.

A CTG venceu a privatização da EDP no final de 2011
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A CTG venceu a privatização da EDP no final de 2011 Rui Gaudêncio

A China Three Gorges, maior accionista da EDP, pagou 220 milhões de euros para comprar mais de 66 milhões de acções da eléctrica portuguesa, de forma a acompanhar o aumento de capital em curso, foi hoje comunicado.

“No contexto do aumento de capital pelo qual é conferido aos accionistas direitos de subscrição, o membro do Conselho de Geral de Supervisão China Three Gorges (Europe), S.A. (“CTGE”) informou a EDP que optou pelo exercício dos respectivos direitos”, pode ler-se no comunicado hoje enviado pela EDP à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

De acordo com informação anexa ao comunicado, as 66.749.114 acções foram vendidas “pelo preço unitário de 3,30 euros por acção”, o que perfaz um valor de 220.272.076,20 euros.

“Considerando que a signatária era titular, em momento anterior ao da transacção, de 784.957.024 acções representativas de 21,47% do capital social da EDP, após a transacção passou a deter 851.706.138 acções, mantendo o percentual representativo de 21,47% do capital social da EDP”, com os correspondentes direitos de voto, pode também ler-se no comunicado enviado pela EDP ao mercado.

De acordo com o anexo, a transacção foi realizada na segunda-feira pela subsidiária da China Three Gorges no Luxemburgo, pelo que os direitos de voto são imputáveis à empresa estatal chinesa.

Vários administradores da EDP e o segundo maior accionista da eléctrica, a Oppidum Capital, já tinham acompanhado em quase 74 milhões de euros o aumento de capital para a compra da espanhola Viesgo, de acordo com comunicados enviados ao mercado.

Segundo os vários comunicados enviados à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) ao longo da última semana, o segundo maior contributo para o aumento de capital veio da Oppidum Capital, o segundo maior accionista da EDP (detém 7,19% do capital), a seguir à estatal chinesa China Three Gorges (que detém 21,47%).

De acordo com o comunicado enviado à CMVM, a Oppidum investiu 73,8 milhões de euros para acompanhar o aumento de capital, aos que se juntaram 4.775,10 euros da mulher do dono da Oppidum e 138,60 euros de cada um dos três herdeiros.

No que diz respeito aos administradores da EDP, o que mais investiu no aumento de capital foi o presidente executivo interino, Miguel Stilwell de Andrade, que substituiu António Mexia, suspenso de funções devido a ordem judicial.

Miguel Stilwell de Andrade avançou com 39.283,20 euros para o aumento de capital, ao passo que António Mexia investiu 25.535,40 euros, aos quais se juntam 607,20 euros da sua mãe, Maria da Graça Mexia.

Também o administrador António Martins da Costa avançou no aumento de capital, com um total de 15.232,80 euros, e o administrador Rui Teixeira investiu 8.457,90 euros, acompanhado pela sua mulher, Lina Dantas Martins, com 1.633,50 euros.

Já a administradora Maria Teresa Pereira investiu um total de 20.001,30 euros.

No passado dia 15 de Julho, a EDP anunciou um aumento de capital em mais de mil milhões de euros para financiar a compra da espanhola Viesgo, segundo comunicação à CMVM.

“A transacção da Viesgo será parcialmente financiada através de uma oferta pública de subscrição de 1.020 milhões de euros, um aumento de capital social com subscrição totalmente garantida até um máximo de 309.143.297 novas acções da EDP, representativas de um total de aproximadamente 8,45% do capital social da EDP, com subscrição reservada a accionistas no exercício dos seus direitos de preferência e outros investidores que adquiram direitos de subscrição”, de acordo com informação remetida então ao mercado.

O Banco Comercial Português (BCP), a J.P. Morgan Securities plc, o Morgan Stanley & Co. International plc, o BNP Paribas, o BofA Securities Europe SA e o Goldman Sachs International, por seu turno, comprometeram-se a procurar subscritores ou a “subscreverem em seu nome qualquer nova acção não subscrita no âmbito da emissão de acções”.

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