Biografia de Harry e Meghan revela desentendimentos entre o príncipe e o irmão

Finding Freedom é um livro sobre o início da relação dos duques de Sussex, a rápida mudança de vida de Meghan e o afastamento da família real britânica.

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Biografia sobre Harry e Meghan aborda o início da sua relação e as dificuldades que encontraram junto da família real Reuters/Chris Radburn

Finding Freedom: Harry and Meghan and the Making of a Modern Royal Family, a biografia não autorizada pelo Palácio de Buckingham que conta a história do romance de Harry e Meghan e as dificuldades que a relação de ambos encontrou junto da família real britânica vai ficar disponível a 11 de Agosto. Alguns excertos do livro, cedidos ao Times e ao Sunday Times, revelam a discórdia entre Harry e o seu irmão mais velho, o príncipe William, relativamente à sua relação com a ex-actriz norte-americana Meghan Markle.

PÚBLICO -
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Capa da biografia sobre Harry e Meghan, disponível a 11 de Agosto DR

Escrita por Omid Scobie e Carolyn Durand, jornalistas especializados na casa real há vários anos, Finding Freedom tem dado que falar na imprensa britânica. Nos excertos disponibilizados, os autores dão conta do início do afastamento dos irmãos, quando William, o segundo na linha de sucessão ao trono, disse a Harry sobre o seu noivado com Meghan: “Não sintas que tens de apressar isto. Leva o tempo que precisares para conheceres essa rapariga.”

De acordo com passagens citadas num artigo da Vanity Fair, o filho mais novo de Diana não gostou da forma como o irmão se referiu à então namorada. Scobie e Durand escrevem: “Naquelas duas últimas palavras ‘essa rapariga’ Harry ouviu o tom snobe que era anátema à sua abordagem perante o mundo. Durante a sua carreira de dez anos no exército, fora da bolha real, ele aprendeu a não julgar as pessoas com base no seu sotaque, educação, etnicidade, classe ou profissão”. Acrescentam ainda que “Harry ficou possesso por o seu irmão lhe pedir uma coisa daquelas”.

Aquilo que poderia ser um conselho fraternal genuíno, acabou por sair pela culatra e resultar num dos maiores desentendimentos reais britânicos dos últimos anos. A determinada altura em 2019, os irmãos não se falavam, como Harry deu a entender numa entrevista ao pivô da ITV, Tom Bradby, quando fez uma viagem a África com Meghan.

Os duques de Sussex já emitiram um comunicado onde esclarecem não terem cedido qualquer testemunho pessoal aos autores do livro. Já o Palácio de Buckingham não teceu quaisquer comentários sobre a biografia, o que não é surpresa para Scobie e Durand, dado o seu teor e título – Finding Freedom traduz-se de forma literal por Encontrar a Liberdade, em português, havendo a conotação de que o casal não seria livre no seio da família real britânica.

Sussurros nos corredores

Com acesso ao círculo restrito da casa real, os autores da biografia revelam que muitos membros da família e colaboradores do palácio proferiam comentários de mau tom em relação a Meghan. Alegadamente, houve uma pessoa que se referiu à duquesa como a “showgirl de Harry” (esta expressão em inglês pode ter uma conotação negativa, comparando com dançarinas exóticas ou acompanhantes de luxo) e outra que disse que ela trazia “muita bagagem”. “Há qualquer coisa nela em que não confio”, disse alegadamente um dos membros da família, enquanto um colaborador é citado no livro como tendo-se referido à duquesa como “um adereço incómodo” (numa tradução livre).

No livro, Scobie e Durand afirmam que Harry sabia o que era dito sobre Meghan, mas que “não queria saber o que a sua família pensava ou dizia. Ele sabia que Meghan era a mulher certa para ele. O seu amor era verdadeiro e os sentimentos genuínos. Tudo o resto era ruído”.

Kate não foi o apoio que Meghan esperava

Com a chegada de Meghan à família real e os relatos de discórdia entre os vários membros, na imprensa britânica, veio igualmente a ideia de que Kate e a duquesa de Sussex não teriam a melhor das relações, havendo mesmo animosidade entre as duas. Contudo, Finding Freedom esclarece que havia mais uma falta de relação do que propriamente um mau entendimento entre elas. Os autores dizem que simplesmente não havia muito em comum entre Meghan e Kate e que esta, apesar de contactar com a cunhada, não mostrava preocupação em criar uma maior ligação. 

Harry e Meghan conheceram-se em 2016, casaram dois anos depois, tiveram o primeiro filho em 2019 e em Março deste ano abandonaram as suas responsabilidades a tempo inteiro como membros séniores da família real. Esta saída é justificada pela forma como a família do príncipe recebeu a ex-actriz e pela cobertura que a imprensa britânica fez sobre Meghan, alegando o casal que teve um teor racista por a duquesa ter ascendência afro-americana

Texto editado por Bárbara Wong

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