Comboios do Oeste regressam à Figueira da Foz

Serviço regional entre Caldas da Rainha e Leiria é prolongado à Figueira da Foz para levar comboios às oficinas e evitar supressões. Empresa mantém inter-regionais directos a Coimbra.

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Sergio Azenha (colaborador)

Depois de nove anos em que a CP deixou de ter comboios directos da linha do Oeste para a Figueira da Foz, este serviço é retomado a partir do próximo domingo, 12 de Julho, mas apenas com uma circulação em cada sentido. O regional das Caldas da Rainha que chegava a Leiria às 15h28 é prolongado à Figueira da Foz e é desta cidade que passa a partir o regional que até agora saía de Leiria às 18h14.

Esta alteração é ditada mais por motivos operacionais do que comerciais. A CP decidiu reabrir as oficinas da Figueira da Foz, onde antes era feita a manutenção da frota dos comboios do Oeste. É por esse motivo que agora, diariamente, uma automotora prolongará o serviço de Leiria à Figueira da Foz.

As oficinas ferroviárias da da Figueira da Foz fecharam em 2011 e na altura contavam com 34 trabalhadores. Mas foram antes um grande complexo oficinal onde se reparavam vários tipos de comboios. Em 1985 chegaram a trabalhar ali 340 pessoas.

Em rigor, as oficinas não vão reabrir. Serão apenas um “posto avançado de manutenção” ao qual se deslocará uma equipa móvel de Contumil para fazer pequenas reparações nos comboios, evitando que estes tenham de ir ao Porto e permitindo gerir melhor a frota para evitar supressões.

No entanto, a empresa vai continuar a efectuar, de segunda a sexta-feira, os “comboios fantasma” de ida e volta entre Caldas da Rainha e Coimbra. São circulações, sem serviço de passageiros, que só se realizam para que as composições vão às oficinas de Contumil fazer manutenção. No entanto, entre Coimbra e o Porto a mesma automotora já faz serviço comercial.

O horário que entra em vigor neste domingo não põe em causa a aposta estratégica da CP quando em 2012 decidiu realizar comboios directos do Oeste para Coimbra com ligações à linha do Norte. Antes disso todos os comboios tinham origem e destino na Figueira da Foz.

Para sul, no troço entre Caldas da Rainha e Lisboa a empresa desistiu há muito de ter ligações competitivas para a capital e mantém um serviço exclusivamente regional, com paragens em todas as estações, que demora duas horas e meia a percorrer cem quilómetros.

Ainda assim, a CP conseguiu estancar a hemorragia das supressões, que ainda há dois anos eram diárias. Com a colocação ao serviço de carruagens Schindler no Douro, a empresa desviou para o Oeste as automotoras espanholas que circulavam naquela linha e que constituem agora um reforço à operação entre Lisboa, Caldas da Rainha, Leiria e Coimbra. O serviço melhorou porque passou a ser mais fiável, mas os horários continuam desajustados e com uma inexplicável ruptura de carga (transbordo) nas Caldas da Rainha que obriga os passageiros a mudarem de composição sem motivo aparente.

Quanto à infra-estrutura, a linha do Oeste continua, aparentemente, esquecida pela IP, à margem do progresso, exclusivamente dependente de meios humanos, sem sinalização moderna e com velocidades baixas.

Em Março deste ano foi adjudicada a modernização de 43 quilómetros de via entre Meleças e Torres Vedras, mas a empreitada não foi ainda consignada. Os trabalhos deverão ser realizados pelo agrupamento Construções Gabriel A. S. Souto / M. Couto Alves SA / Aldesa Construcciones SA..

A parte restante, entre Torres Vedras e Caldas da Rainha, recebeu em Julho de 2019 a promessa do secretário de Estado dos Transportes, Jorge Delgado, de que seria adjudicada em Novembro desse ano e que os trabalhos seriam concluídos na mesma data do troço entre Meleças e Torres Vedras. Em Janeiro o Ministério das Infra-estruturas afirmava que adjudicação teria lugar em Janeiro, mas um ano depois a promessa não foi cumprida.

De acordo com o plano de investimentos Ferrovia 2020, a modernização de metade da linha do Oeste (só entre Meleças e Caldas da Rainha) deveria ter arrancado em 2017 para estar finalizada no segundo semestre deste ano. As obras – estimadas em 107 milhões de euros - prevêem a electrificação da via, construção de dois troços de via dupla e instalação de modernos sistemas de sinalização e comunicações.  

A norte das Caldas da Rainha não existe qualquer projecto de modernização, sendo provável que a electrificação só avance integrada no Plano Nacional de Investimentos 2030.

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