Covid-19: OMS admite transmissão pelo ar e pede que se evitem espaços fechados

Grupo de 239 cientistas alertou para a possibilidade de pequenas partículas do novo coronavírus presentes no ar serem suficientes para infectar pessoas.

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Fotografia no interior de autocarro Miguel Manso/ARQUIVO

A Organização Mundial de Saúde (OMS) admitiu esta terça-feira haver novas provas de que o novo coronavírus se transmite pelo ar e recomendou medidas como evitar espaços fechados e uso de máscara.

Depois de um grupo de 239 cientistas ter alertado para essa possibilidade numa carta aberta, em conferência de imprensa virtual esta terça-feira, a partir da sede da organização em Genebra, Benedetta Allegranzi, especialista da OMS em prevenção e controlo de infecções, disse que há novas provas sobre a matéria e que é preciso estar atento para perceber as implicações e precauções a serem tomadas.

A transmissão pelo ar é uma das formas de transmissão, é importante adoptar medidas para evitar essa transmissão. Daremos mais informação assim que estiver disponível”, disse também Maria Van Kerkhove, epidemiologista e uma das responsáveis na OMS pela luta contra a pandemia do novo coronavírus, que provoca a doença covid-19.

Benedetta Allegranzi salientou que é preciso entender o comportamento do vírus nessa forma de transmissão e sugeriu que se evitem espaços fechados com aglomeração de pessoas, recomendando “ventilação adequada” e o uso de máscara caso não seja possível essa ventilação.

Na habitual conferência de imprensa da OMS, que a partir desta semana passa a fazer-se apenas à segunda e à sexta-feira, o director-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, começou por salientar que a epidemia está a acelerar no mundo, tendo-se registado novos 400.000 casos só no último fim-de-semana, ainda que o número de mortes diárias não tenha aumentado e pareça ter estabilizado.

“O surto está a acelerar claramente e ainda não alcançamos o pico da pandemia”, disse o responsável, reafirmando os efeitos negativos que a pandemia provocou na distribuição de medicamentos para a sida, bem como na prevenção da doença, devido por exemplo a escassez de preservativos.

Mike Ryan, director-executivo do programa de emergências em saúde da OMS, explicou a propósito dos números de contágios e de mortes por covid-19 que em Abril havia uma média de 6000 mortes por dia, que passou a uma média de 5000 em Maio, que se mantém com alguma estabilidade, apesar do aumento do número de infecções.

Actualmente há um número médio diário de novas infecções rondando as 200.000. Os especialistas da OMS atribuem o menor número de mortes a acções de alguns países para proteger as populações mais vulneráveis, como as pessoas que vivem em lares de idosos.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 538 mil mortos e infectou mais de 11,64 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Portugal contabiliza pelo menos 1629 mortos associados à covid-19 em 44.416 casos confirmados de infecção, segundo o último boletim da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

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