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Autoridades americanas interceptaram transferências da Rússia para contas bancárias taliban

Fontes oficais dizem que Trump foi informado em Fevereiro do esquema entre a Rússia e os taliban. Presidente desvaloriza o caso e considera que notícias não são credíveis.

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Donald Trump tem desvalorizado as notícias sobre o envolvimento russo no Afeganistão EPA/Evan Vucci / POOL

Depois de ter noticiado que o Presidente Donald Trump foi informado em Fevereiro pelos serviços secretos quanto à suspeita de a Rússia estar a pagar recompensas a grupos próximos dos taliban que matassem soldados norte-americanos no Afeganistão, o New York Times revelou esta terça-feira que as autoridades norte-americanas interceptaram transferências bancárias de Moscovo para o grupo islamista.

Segundo o jornal norte-americano, que cita três fontes militares sob anonimato, os analistas concluíram que as transferências milionárias estão relacionadas com as suspeitas dos prémios russos a afegãos, noticiadas no final da semana passada.

As suspeitas remetem a Janeiro deste ano, depois de as forças especiais norte-americanas destacadas no Afeganistão terem recuperado elevadas quantias de dinheiro em postos controlados pelos taliban. Depois de interrogarem os militantes e mercenários capturados, os serviços secretos norte-americanos chegaram à conclusão do envolvimento de Moscovo, que estaria a pagar prémios para que soldados americanos e da NATO fossem atacados, no que se crê ser uma tentativa de Moscovo aumentar a sua influência no país e na região.

Esses interrogatórios, sabe-se agora, levaram também à identificação de afegãos envolvidos no esquema montado pela unidade de espionagem russa. Segundo o New York Times, vários afegãos foram detidos em Cabul nos últimos seis meses e, na casa de um dos suspeitos, foram encontrados 500 mil dólares.

Confrontados com estas novas informações, fontes da Casa da Branca e dos serviços secretos recusaram comentar, garantindo que as notícias divulgadas na imprensa norte-americana nos últimos dias estão a ser investigadas.

Já Donald Trump mantém-se em silêncio depois de ter afirmado, no domingo, que não foi informado pelos serviços secretos. O Presidente norte-americano disse que as notícias dos últimos dias não são credíveis, no entanto, não clarificou se são falsas ou se, simplesmente, não estava a par das suspeitas dos serviços secretos.

Contudo, duas fontes oficiais citadas pelo New York Times garantem que um briefing, por escrito, chegou à secretária de Donald Trump no final de Fevereiro.

Já em Março, o Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca reuniu-se para discutir uma resposta à Rússia, que poderia passar por uma queixa diplomática ou pela imposição de sanções, mas nenhuma acção foi tomada, o que levanta ainda mais suspeitas quanto à subserviência de Trump relativamente a Vladimir Putin.

As críticas ao Presidente norte-americano foram imediatas e esta terça-feira o presumível candidato do Partido Democrata, Joe Biden, afirmou que, a confirmarem-se as suspeitas, deve concluir-se que Trump “não tem condições para ser Presidente dos Estados Unidos”.

Horas antes, à semelhança do que aconteceu na segunda-feira com o Partido Republicano, figuras do Partido Democrata reuniram-se com oficiais da Casa Branca e dos serviços secretos. No final da reunião ficaram as incertezas.

“Acho inexplicável que, à luz destas alegações públicas, o Presidente ainda não tenha aparecido perante o país a assegurar ao povo americano que tudo fará para proteger as tropas norte-americanas”, afirmou Adam Schiff, congressista democrata e líder da Comissão dos Serviços Secretos do Congresso.

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