Esta terça-feira há greve na STCP. Sem serviços mínimos

A empresa não garante o cumprimento do serviço em qualquer uma das 73 linhas da rede STCP.

Organizações contestaram a forma como se processou passagem da STCP para os municípios
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Organizações contestaram a forma como se processou passagem da STCP para os municípios Goncalo Dias

Quatro organizações sindicais convocaram para esta terça-feira uma greve na STCP, insatisfeitas com a ausência de avanços nas negociações sobre salários, carreiras e horários de trabalho dos 1200 funcionários da empresa. A paralisação acontece numa altura em que o contrato de transferência da tutela da transportadora pública para os municípios já foi aprovada pelos órgãos autárquicos envolvidos, aguardando-se o visto do Tribunal de Contas.

Na passada sexta-feira, o Tribunal Arbitral decidiu, por unanimidade, não decretar serviços mínimos para esta greve e, perante esse facto, a Sociedade de Transportes Colectivos do Porto admitiu em comunicado, esta segunda-feira, que poderão ocorrer perturbações de serviço entre a meia-noite de hoje e as 2h de quarta-feira, dia 1 de Julho. “A empresa não poderá garantir o cumprimento do serviço em qualquer uma das 73 linhas da rede STCP”, assumia a administração liderada por Manuel Queiró.

As organizações que emitiram o pré-aviso - o Sindicato Nacional de Motoristas (SNM), o Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes da Área Metropolitana do Porto (STTAMP), o Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes (SITRA) e a Associação Sindical de Trabalhadores dos Transportes Colectivos do Porto (SMTP) tinham conseguido em 2018 alcançar um acordo com a empresa para 2018 e 2019. Mas, numa fase de transição, dizem-se fartos de promessas e queixam-se de estarem a ser tratados com indiferença pelas várias tutelas da transportadora (que ainda é detida pelo Estado mas já é gerida por seis municípios, com o Porto à cabeça). 

Vítor Teixeira, do STTAMP, explicou que para além de várias situações que pretendem ver resolvidas o facto de a empresa ter avançado, unilateralmente, com a decisão de aumentar os trabalhadores em 0,3%, este ano, acabou por tornar inevitável a greve. No âmbito da transferência da empresa para os municípios, havia a expectativa, nunca assumida por escrito, explica, de que em 2020 os aumentos seriam de 1,4 por cento. Sem perspectiva de que isso possa ainda vir a acontecer, e menos ainda sobre uma eventual aplicação retroactiva a Janeiro, os sindicatos decidiram partir para a greve    

A greve acontece num período crítico para as pessoas servidas pelo transporte público. Depois de uma quebra considerável provocada pela limitação à circulação, durante a fase crítica da pandemia, este tem funcionado com limitações na capacidade dos autocarros e também com problemas ao nível da oferta decorrentes da entrada em layoff de muitas empresas privadas cujo serviço foi, nalguns casos, suprido pelo operador público. Vítor Teixeira admite que o momento escolhido para a greve é sensível, sabe que a greve, como qualquer outra, será criticada por quem fica sem transporte, mas também espera que uma parte da população compreenda a situação dos trabalhadores.

Na sexta-feira, o conselho metropolitano do Porto aprovou um pagamento de 2,3 milhões de euros aos operadores da região. “Esta medida permite uma injecção de liquidez nas empresas públicas e privadas do sector e assegura as condições financeiras para a normalização do serviço de transporte público”, notava a câmara de Gaia, em comunicado. 

Afectada, como outras, pelas supressões de serviços, a autarquia presidida pelo socialista Eduardo Vítor Rodrigues espera que a libertação desta verba permita a reposição da oferta aos domingos e feriados, bem como o reforço da frequência de autocarros no concelho a partir desta quarta-feira, 1 de Julho.

 
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